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 ESPAÇO CULTURAL

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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 11:00

ESTE ESPAÇO É DEDICADO À POESIA, Á MÚSICA, À LITERATURA E A TODAS AS FORMAS DE ARTE CRIADAS PELO HOMEM. AQUI PODEREMOS HOMENAGEAR E DAR A CONHECER TODAS AQUELES QUE SE EXPRESSARAM OU SE EXPRESSAM, ATRAVÉS DA ARTE.
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:12

ZECA AFONSO

Enquanto há força

Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também

Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:14

ZECA AFONSO

O percurso do Cantor

Em 1958 José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra" enquanto acompanha o movimento em torno da candidatura presidencial de Humberto Delgado. Mais tarde grava "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa", escrita por Manuel Alegre e cantada por Adriano Correia de Oliveira, constituem um marco fundamental da canção de intervenção e de resistência antifascista.

Em 1964 parte para Moçambique. Professor de liceu, desenvolve uma intensa actividade política contra o colonialismo, o que lhe traz problemas com a PIDE e com a administração colonial. Mais tarde regressa a Portugal onde é colocado como professor em Setúbal, mas posteriormente é expulso do ensino. Para sobreviver dá explicações e grava o seu primeiro LP, "Baladas e Canções".

Em 1967-70, Zeca protagoniza uma intervenção política e musical ímpar, convertendo-se num símbolo da resistência. Várias vezes detido pla PIDE, mantém contactos com a Luar, PCP e esquerda radical. Em 69 participa no 1o Encontro da "Chanson Portugaise de Combat" em Paris e empenha-se fortemente na eleição de deputados à Assembleia Nacional da CDE de Setúbal, gravando tambem o LP "Cantares do Andarilho", recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Alvo de sensura José Afonso passa a ser tratado nos jornais por Esoj Osnofa!

Com os arranjos de José Mário Branco, em 1971, edita "Cantigas do Maio", Neste álbum surge "Grândola Vila Morena" que se tornará um símbolo da revolução de Abril. Desde então Zeca participa em vários festivais. É publicado o livro "José Afonso", coordenado por Viale Moutinho. É lançado o LP "Eu vou ser como a toupeira". Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava "Venham mais cinco".

Após a Revolução dos Cravos, participa em numerosos "cantos livres" e grava o LP "Coro dos Tribunais", onde conta com a colaboração de Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino e José Niza, entre outros. Em 1975 canta em inúmeros espectáculos de dança e lança "Com as minhas tamanquinhas".

Em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na candidatura à presidência da república. Em 1981 Actua no Theatre De La Ville de Paris, compõe a música de "Fernão Mendes" para a "Barraca" e grava "Enquanto há força" e "Fura fura".

Em 1985 José Afonso já se encontra doente. O Coliseu de Lisboa é o palco do seu último espectáculo. As homenagens multiplicam-se e é condecorado com a Ordem da Liberdade. Já muito enfermo, em 1985, apoia a candidaduta de Lourdes Pintassilgo à presidência da república. É editado o seu último disco, Galinhas do Mato.

A 23 de Fevereiro de 1987 morre no Hospital de Setúbal
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:22

Vinicius de Moraes

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:24

O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata.

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:26

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes aos nove anos de idade parece que pressente o poeta: vai, com a irmã Lygia ao cartório na Rua São José, centro do Rio, e altera seu nome para Vinicius de Moraes. Nascido em 19-10-1913, na Rua Lopes Quintas, 114 — bairro da Gávea, na Cidade Maravilhosa, desde cedo demonstra seu pendor para a poesia. Criado por sua mãe, Lydia Cruz de Moraes, que, dentre outras qualidades, era exímia pianista, e ao lado do pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta bissexto, Vinicius cresce morando em diversos bairros do Rio, infância e juventude depois contadas em seus versos, que refletiam o pensamento da geração de 1940 em diante.

Em 1916, a família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, 129, no bairro de Botafogo, passando a residir com os avós paternos, Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.

No ano seguinte mudam-se para a rua da Passagem, 100, no mesmo bairro. Nasce seu irmão Helius. Com a irmão Lydia, passa a freqüentar a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.

Em 1920, por disposição de seu avô materno, é batizado na maçonaria, cerimônia que lhe causaria grande impressão.

Após três outras mudanças, em 1922 a família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, 109-A.

Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria, no ano seguinte.

Em 1924, inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente. Começa a cantar no coro do colégio nas missas de domingo, criando fortes laços de amizade com seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este sobrinho de Raul Pompéia. Participa, como ator, em peças infantis.

Torna-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajóz, em 1927, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do colégio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casas de famílias conhecidas.

Compõe, no ano seguinte, com os irmãos Tapajóz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande sucesso. Nessa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

A família volta a morar na rua Lopes Quintas em 1929, ano em que Vinicius bacharela-se em Letras no Santo Inácio. No ano seguinte entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil, para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), tornando-se amigo de Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

Em 1931, entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial da Reserva, em 1933. Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.

Forma e exegese, seu livro de poesias lançado em 1935, ganha o prêmio Felipe d'Oliveira.

Em 1936, substitui Prudente de Moraes Neto como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher". Conhece o poeta Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

Em 1938, é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, para onde parte em agosto daquele ano. Trabalha como assistente do programa brasileiro da BBC. Conhece, então, na casa de Augusto Frederico Schmidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se tornaria um dos maiores amigos. Instado por outro grande amigo, Otávio de Faria, a se tornar um poeta mais com os pés no chão, e não o "inquilino do sublime" como, então, o chamou, lança Novos Poemas. Seguindo esta mesma linha, são lançados, posteriormente, Cinco Elegias, em 1943, e Poemas, Sonetos e Baladas, escrito em 1946, que já começam a mostrar o poeta sensual e lírico, mas, como ele próprio disse, um "poeta do cotidiano".

No ano seguinte, casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello. No final desse ano, retorna ao Brasil devido à eclosão da II Grande Guerra. Parte da viagem é feita em companhia de Oswald de Andrade.
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:27

Continuação

O ano de 1940 marca o nascimento de sua primeira filha, Suzana. Torna-se amigo de Mário de Andrade.

Estréia como crítico de cinema e colaborador no Suplemento Literário do jornal "A Manhã", em companhia de Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo, em 1941.

Em 1942, nasce seu filho Pedro. Favorável ao cinema silencioso, Vinicius inicia um debate sobre o assunto com Ribeiro Couto, que depois se estende à maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti. A convite do então prefeito de Belo Horizonte (MG), Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros àquela cidade, onde se liga por amizade a Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Otto Lara Resende. Juntamente com Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, inicia a roda literária do Café Vermelhinho, no Rio de Janeiro, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira e Bruno Giorgi, entre outros. Conheceu a escritora argentina Maria Rosa Oliveira e, através dela, Gabriela Mistral. Freqüenta as domingueiras na casa de Aníbal Machado. Ainda nesse ano, faz extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.

No ano seguinte, ingressa, por concurso, na carreira diplomática. Publica Cinco Elegias em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.

Dirige, em 1944, o Suplemento Literário de "O Jornal", onde lança, entre outros, Pedro Nava, Francisco de Sá Pires, Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Marcelo Garcia e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Athos Bulcão, Maria Helena Vieira da Silva, Alfredo Ceschiatti, Carlos Scliar, Eros (Martin) Gonçalves e Arpad Czenes.

Em 1945, um grande susto: sofre grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro "Leonel de Marnier", perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacyr Werneck de Castro. Colabora com vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema. Escreve crônicas diárias para o jornal "Diretrizes". Faz amizade com o poeta chileno Pablo Neruda.

No ano de 1946, assume seu primeiro posto diplomático: vice-consul do Brasil em Los Angeles, Califórnia (USA). Ali permanece por quase cinco anos, sem retornar ao seu país. Publica, em edição de luxo, com ilustrações de Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.

Vinicius, amante da sétima arte, inicia seus estudos de cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film, em 1947.

Em 1949, João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa manual, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema Pátria Minha.

Visita o poeta Pablo Neruda, no México, que se encontrava gravemente enfermo. Ali conhece o pinto Diogo Siqueiros e reencontra o pintos Di Cavalcanti. Morre seu pai. Volta ao Brasil, em 1950.

No ano seguinte, casa-se, pela segunda vez, com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli. A convite de Samuel Wainer, começa a colaborar no jornal "Última Hora", como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.

Em 1952, é nomeado delegado junto ao Festival de Punta del Este, fazendo paralelamente sua cobertura para "Última Hora". Terminado o evento, parte para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização do Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade. Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco Elegias. Sob encomenda do diretor Alberto Cavalcanti, com seus primos Humberto e José Francheschi, visita, fotografa e filma as cidades mineiras que compõem o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor.

Em 1953, nasce sua filha Georgiana. Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tu passas por mim". Faz crônicas diárias para o jornal "A Vanguarda" e colabora no tablóide semanário "Flan", de "Última Hora". Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada. Escreve Orfeu da Conceição, obra que seria premiada no Concurso de Teatro do IV Centenário da Cidade de São Paulo no ano seguinte, e que teve montagem teatral em 1956, com cenários de Oscar Niemeyer. Posteriormente transformada em filme (com o nome de Orfeu negro) pelo diretor francês Marcel Camus, em 1959, obteve grande sucesso internacional, tendo sido premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e com o Oscar, em Hollywood, como o melhor filme estrangeiro do ano. Nesse filme acontece seu primeiro trabalho com Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim).
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Ago - 12:27

Continuação

Sai da primeira edição de sua Antologia Poética. A revista "Anhembi" publica Orfeu da Conceição, em 1954.

No ano seguinte, compõe, em Paris, uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu negro. Volta ao Brasil em curta estada, buscando obter financiamento para a realização do filme. Diante do insucesso da missão, retorna a Paris em fins de dezembro.

Em 1956, retorna à pátria, no gozo de licença-prêmio. Nasce sua filha, Luciana. A convite de Jorge Amado, colabora no quinzenário "Para Todos", onde publica, na primeira edição, o poema O operário em construção. A peça Orfeu da Conceição é encenada no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. As músicas do espetáculo são de autoria de Antônio Carlos Jobim, dando início a uma parceria que, tempos depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova. Retorna ao posto, em Paris, no final do ano.

Publica Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal, em 1957. É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No final do ano é transferido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.

Em 1958, sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP "Canção do amor demais", de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa nova, no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de saudade", considerado o marco inicial do movimento.

1959 marca o lançamento do LP "Por toda a minha vida", de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno. Casa-se sua filha Susana.

No ano seguinte, retorna à Secretaria de Estado das Relações Exteriores. Em novembro, nasce seu neto Paulo. Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, uma edição popular da peça Orfeu da Conceição e Recette de femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff.

Começa a compor com Carlos Lyra e Pixinguinha. Aparece Orfeu negro, em tradução italiana de P. A. Jannini, em 1961.

Dá início à composição de uma série de afro-sambas, em parceria com Baden Powell, entre os quais "Berimbau" e "Canto de Ossanha". Com Carlos Lyra, compõe as canções de sua comédia musicada Pobre menina rica. Em agosto desse ano, 1962, faz seu primeiro show, que obteve grande repercussão, ao lado de Jobim e João Gilberto, na boate "Au Bon Gourmet", iniciando a fase dos "pocket-shows", onde foram lançados grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e "Samba da benção". Na mesma boate, faz apresentação com Carlos Lyra para apresentar "Pobre menina rica", ocasião em que é lançada a cantora Nara Leão. Compõe, com Ary Barroso, as últimas canções do grande mestre da MPB, como "Rancho das Namoradas". É lançado o livro Para viver um grande amor. Grava, como cantor, um disco com a atriz e cantora Odete Lara.

Em 1963, inicia uma parceria que produziria grandes sucessos com Edu Lobo. Casa-se com Nelita Abreu Rocha e retorna a Paris, assumindo posto na Delegação do Brasil junto à UNESCO.

No início da revolução de 1964, retorna ao Brasil e colabora com crônicas semanais para a revista "Fatos e Fotos", ao mesmo tempo em que assinava crônicas sobre música popular para o "Diário Carioca". Começa a compor com Francis Hime. Com Dorival Caymmi, participa de show muito sucesso na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Desse show é feito um LP.

1965 marca o lançamento de Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério de Educação e Cultura. Ganha o primeiro e segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell. Parte para Paris e St. Maxime para escrever o roteiro do filme "Arrastão". Indispõem-se com o diretor e retira suas músicas do filme. Parte de Paris para Los Angeles a fim de encontrar-se com Jobim. Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, 20. Começa a trabalhar no roteiro do filme "Garota de Ipanema", dirigido por Leon Hirszman. Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

No ano seguinte é lançado o livro Para uma menina com uma flor. São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa. Seu "Samba da benção", em parceria com Baden Powell, é incluído, em versão do compositor e ator Pierre Barouh, no filme "Un homme... une femme", vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano. Vinicius participa do juri desse festival.

Em 1967, sai a sexta edição de sua Antologia Poética e a segunda de Livro de Sonetos (aumentada). Faz parte do júri do Festival de Música Jovem, na Bahia. Ocorre a estréia do filme "Garota de Ipanema". É colocado à disposição do governo de Minas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto.

Falece sua mãe, em 25 de fevereiro de 1968. Aparece a primeira edição de sua Obra Poética. Seus poemas são traduzidos para o italiano por Ungaretti.

Em 1969, é exonerado do Itamaraty. Casa-se com Cristina Gurjão, com quem tem uma filha chamada Maria.

No ano seguinte, casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy. Inicia parceria com o violonista Toquinho.

Em 1971, muda-se para Salvador, Bahia. Viaja pela Itália, numa espécie de auto-exílio. No ano seguinte, com Toquinho, lança naquele país o LP "Per vivere un grande amore".

A Pablo Neruda é lançado em 1973. Trabalha, no ano seguinte, no roteiro, não concretizado, do filme "Polichinelo". Participa de show com Toquinho e a cantora Maria Creuza, no Rio. Confirmando os boatos de que o governo o perseguia, excursiona pela Europa e grava dois discos na Itália com Toquinho, em 1975.

Em 1976, novo casamento, agora com Marta Rodrigues Santamaria. Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.

Participa de show na casa de espetáculos "Canecão", no Rio, com Tom Jobim, Toquinho e Miúcha. Grava um LP em Paris, com Toquinho, em 1977.

No ano seguinte, excursiona com Toquinho pela Europa. Casa-se com Gilda de Queirós Matoso.

Em 1979, participa de leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), a convite do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

No dia 17 de abril de 1980, é operado para a instalação de um dreno cerebral. Morre, na manhã de 09 de julho, de edema pulmonar, em sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher. Extraviam-se os originais de seu livro O deve e o haver.

Lançado postumamente, no Livro de Letras, publicado em 1991, estão mais de 300 letras de músicas de autoria de Vinícius, com melodias suas e de um sem número de compositores, ou parceirinhos, como carinhosamente os chamava.

Em 1992, é lançado um livro que hibernou anos junto ao poeta: Roteiro Lírico e Sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde Nasceu, Vive em Trânsito e Morre de Amor o Poeta Vinicius de Moraes.

No ano seguinte, uma coletânea de poesias é publicada no livro As Coisas do Alto - Poemas de Formação, mostrando a processo de formação do poeta, que é uma descida do topo metafísico à solidez do cotidiano.

Em 1996, é lançado livro de bolso com o título Soneto de Fidelidade e outros poemas, a preços populares. Essa publicação fica diversas semanas na lista dos mais vendidos, o que vem mostrar que mesmo após 16 anos de seu desaparecimento, sua poesia continuava viva entre nós.

Em 2001, a industria de perfumes Avon lança a "Coleção Mulher e Poesia - por Vinicius de Moraes", com as fragrâncias "Onde anda você", "Coisa mais linda", "Morena flor" e "Soneto de fidelidade".

Inconstante no amor (seus biógrafos dizem que teve, oficialmente, 09 mulheres), um dia foi questionado pelo parceiro Tom Jobim: "Afinal, poetinha, quantas vezes você vai se casar?".

Num improviso de sabedoria, Vinicius respondeu: "Quantas forem necessárias."

BIBLIOGRAFIA

Do Autor:

Poesia/Prosa:

- O Caminho para a Distância, 1933 - Schmidt Ed, Rio (recolhida pelo autor)

- Ariana, a Mulher, 1936 - Pongetti - Rio

- Forma e Exegese, 1935 - Pongetti - Rio (Prêmio Felippe d'Oliveira)

- Novos Poemas, 1938 - José Olympio - Rio

- Cinco Elegias, 1943 - Pongetti - Rio (ed.feita a pedido de Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Octávio de Farias)

- 10 poemas em manuscrito - 1945, Condé (edição ilustrada de 150 exemplares)

- Poemas, Sonetos e Baladas, 1946 - Ed. Gávea - São Paulo (ilustrações de Carlos Leão)

- Pátria Minha, 1949 - O Livro Inconsútil - Barcelona (ed.feita por João Cabral de Melo Neto em sua prensa manual)

- Orfeu da Conceição, 1956 - Editora do Autor - Rio (ilustrações de Carlos Scliar)

- Livro de Sonetos, 1957 - Livros de Portugal - Rio

- Novos Poemas (II), 1959 - Livraria São José - Rio.

- Orfeu da Conceição, 1960 - Livraria São José - Rio (edição popular)

- Para Viver um Grande Amor, 1962 - Ed. do Autor - Rio

- Cordélia e o Peregrino, 1965 - Ed.do Serviço de Documentação do M. da Educação e Cultura - Brasília

- Para uma Menina com uma Flor, 1966 - Ed. do Autor - Rio

- Orfeu da Conceição, 1967 - Editora Dois Amigos - Rio (com ilustrações de Carlos Scliar)

- O Mergulhador, 1968 - Atelier de Arte - Rio (fotos de Pedro de Moraes, filho do autor. Tiragem limitada a 2.000 exemplares, sendo 50 numerados em algarismos romanos de I a L e assinados pelos autores, comportando um manuscrito original e inédito de Vinícius de Moraes;450 exemplares numerados em algarismos arábicos e 51 a 500 e assinados pelos autores; e,finalmente, 1.500 exemplares numerados de 501 a 2.000)

- História natural de Pablo Neruda, 1974 - Ed.Macunaíma - Salvador.

- O falso mendigo, poemas de Vinicius de Moraes - 1978, Ed. Fontana - Rio

- Vinicius de Moraes - Poemas de muito amor, 1982 - José Olympio, Rio (ilustrações de Carlos Leão)

- A arca de Noé - 1991, Cia. das Letras - São Paulo

- Livro de Letras, 1991, Cia. das Letras - São Paulo

- Roteiro lírico e sentimental da Cidade do Rio de Janeiro e outros lugares por onde passou e se encantou o poeta, 1992 - Cia. das Letras - São Paulo

- As Coisas do Alto - Poemas de Formação, 1993 - Cia. das Letras - São Paulo

- Jardim Noturno - Poemas Inéditos, 1993 - Cia. das Letras - São Paulo

- Soneto de Fidelidade e outros Poemas, 1996 - Ediouro - Rio (ed. bolso)

- Procura-se uma Rosa, Massao Ohno Ed. - São Paulo (peça de teatro em colaboração com Pedro Bloch e Gláucio Gil)

- A Arca de Noé, Cia. das Letras - São Paulo

- O Cinema de Meus Olhos, Cia. das Letras - São Paulo

- Nossa Senhora de Paris, Ediouro - Rio

- Teatro em Versos - 1995, Cia. das Letras - São Paulo

- Rio de Janeiro (com Ferreira Gullar), Ed. Record - Rio (edições em alemão, francês, inglês, italiano e português).

- Querido Poeta - Correspondências de Vinicius de Moraes (organização de Ruy Castro), Cia. das Letras, São Paulo, 2003.

Francês:

- Cinc Elégies, 1953 - Ed. Seghers - Paris (trad. de Jean-Georges Rueff)

- Recette de Femme et autres poèmes, 1960 - Ed. Seghers - Paris (escolha e tradução de Jean-Georges Rueff)

Italiano:

- Orfeo Negro, 1961 - Nuova Academia Editrice - Milão (tradução de P. A. Jannini)

Antologias:

- Antologia Poética, 1954 - Editora A Noite - Rio de Janeiro

- Obra poética - Poesia Completa e Prosa, Editora Nova Aguillar, 1968

Teatro

- Procura-se uma rosa, 1962 (com Pedro Bloch e Gláucio Gil.)

Sobre o Autor:

- O Poeta da Paixão, José Castello, 1994 - Cia. das Letras - São Paulo

- Vinícius de Moraes - Uma Geografia Poética, José Castello, 1996 - Ed. Relume Dumará

- Rio (coleção Perfis do Rio)

- Vinícius de Moraes, Pedro Lyra, Editora Agir

Discos de poesias:

- Vinicius em Portugal, 1969, Fiesta, IG 79.034 - Rio

- Antologia Poética, 1977, Philips, 6641 708, Série de Luxo - 2 Long-Plays (com participação de Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho, Luis Roberto, Jorginho, Roberto Menescal e Francis Hime)

Homenagens:

- Ciclo Vinícius de Moraes - Meu Tempo é Quando, 05 de janeiro a 23 de fevereiro de 1990, Centro Cultural do Banco do Brasil - Rio de Janeiro


Dados compilados dos livros "Vinicius de Moraes: O poeta da Paixão - uma biografia", "Perfis do Rio", de José Castello, e de "Obra Poética - Poesia Completa e Prosa", Ed. Nov Aguillar - Rio, além dos constantes nos livros do autor e informações obtidas na Internet.
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qua 30 Ago - 18:18

Que tal nos limitar-mos a Portugal e deixar-mos os brasileiros com os deles ou ainda nos acusam de estarmos e aportuguesar os seus artistas ou que tem mais e melhores q nós etc... a tal mania do big is beautiful trauma neocolonial etc.....
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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 31 Ago - 9:08

lololololol

Se fosse Malangatana já gostavas não era?

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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 31 Ago - 9:51

Longair escreveu:
Que tal nos limitar-mos a Portugal e deixar-mos os brasileiros com os deles ou ainda nos acusam de estarmos e aportuguesar os seus artistas ou que tem mais e melhores q nós etc... a tal mania do big is beautiful trauma neocolonial etc.....

LOL, parece que temos aqui um participante, anti lusofonia. Discutirei o seu pedido com o Administrador.
Mas já agora, Sr. Longair, após a sua 2ª sugestão, quero também ver obra feita. Se deseja falar apenas de História de Portugal, faça o favor de avançar, se deseja que o presente espaço, se refira apenas à cultura do Portugal de hoje, sem colónias, é favor avançar também. Esta À sua vontade.

Bem Haja
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Longair



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 31 Ago - 13:37

ok Historia de Portugal,.... vuooooop, ja está passou foi á historia xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii onde ja vai o meu skecimento portugal ainda existe?????
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 31 Ago - 14:53

Longair escreveu:
ok Historia de Portugal,.... vuooooop, ja está passou foi á historia xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii onde ja vai o meu skecimento portugal ainda existe?????

Existe, existe. Não sei se tá a ver aquela coisa chamada Península Ibérica?, pois....a cabeleira, é a Espanha e o rosto é Portugal, e alinha divisória, ainda lá está bem definida, o que me parece indefinido é realmente a sua vontade de participar no tema História. Como parece que não fui explícita nos meus esclarecimentos, talvez seja melhor pedi-los ao nosso Caro Izz,
O meu mto bem haja
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Longair



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 2 Set - 17:20

Bem eu estou aqui para aprender sobre a cultura lusofona/portuguesa, quanto á minha participação é a de um mero observador, e falando de vontade é a de um devorador de palavras, quanto ao caro Izzo não vale a pena incomodar o rapaz pois sou respeitador da paz e da individualidade de cada um/a e falando do esboço fotodescrito de portugal na peninsula iberica eu penso de maneira diferente, a espanha so tem mesmo é cabeleira que até pode ser postiça mas quanto a portugal ser somante o rosto, acho uma afronta ao povo portugues, portugal é uma parte da peninsula e espanha é a outra parte em conjunto com gibraltar e andorra( e a nossa saudosa olivença) e que eu saiba ainda há cerebros em portugal :)não nos limitamos a ser somente um jardim com plantas pa ingles reformado ver
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Rider



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 2 Set - 19:02

Longair escreveu:
e que eu saiba ainda há cerebros em portugal

Pois há, mas essas pessoas não se querem aborrecer com a politiquice do nosso país. A maioria vai para o estrangeiro.

Quando não há um funcionamento político saudável, o resultado é o que temos.

Bem haja.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 3 Set - 13:58

Longair escreveu:
Bem eu estou aqui para aprender sobre a cultura lusofona/portuguesa, quanto á minha participação é a de um mero observador, e falando de vontade é a de um devorador de palavras, quanto ao caro Izzo não vale a pena incomodar o rapaz pois sou respeitador da paz e da individualidade de cada um/a e falando do esboço fotodescrito de portugal na peninsula iberica eu penso de maneira diferente, a espanha so tem mesmo é cabeleira que até pode ser postiça mas quanto a portugal ser somante o rosto, acho uma afronta ao povo portugues, portugal é uma parte da peninsula e espanha é a outra parte em conjunto com gibraltar e andorra( e a nossa saudosa olivença) e que eu saiba ainda há cerebros em portugal :)não nos limitamos a ser somente um jardim com plantas pa ingles reformado ver

Oh, Longair, não seja tão azedo, a alusão de Portugal"ser o rosto", era apenas uma alusão infantil, sem qualquer conotação.
No que concerne a deixar o IZZ, em paz, não é uma questão de o deixar em paz ou em guerra, ele é o criador deste Forum, como tal não tomo decisões sem o oscultar, bem haja e uma boa noite para sim também.
Já agora....já leu aquele livro"Que irmãos tão diferentes?", lol
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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qua 6 Set - 10:20

Um bem hajam,

Gostava de pedir ao Longair que apesar deste ser livre de se expraiar nos tópicos, que ao menos procure ser justo nas suas exposições.

Pois uma coisa é discordar e apresentar as razões por se discordar e outra coisa é ser inconveniente.
A Rosa somente apresenta dados sobre os diversos tópicos aqui presentes.
Sugerir que a Rosa dê preferência a dados Portugueses, não é uma má sugestão... mas tenhamos calma né...

Um abraço,

IzNo

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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 30 Set - 16:08

Olá!!!

Vou tentar a minha participação com um pouco do conhecimento que tenho de uma poetisa portuguêsa que muito admiro e que é:Florbela Espanca.

Vou fazê-lo expondo a sua biografia e alguma poesia dividida em pequenas partes,para não se tornar muito cansativo.

Um abraço da Beladona
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 30 Set - 16:20

Às 2 horas da manhã do dia 8 de Dezembro de 1894,uma mulher de humilde condição ,de seu nome Antónia da Conceição Lobo,dá à luz ,na rua do Angerino em Vila Viçosa ,uma menina.É um lindo bébé ,-tão lindo que alguém afirma mesmo "é uma flor" ,ao que a mãe terá respondido:Flor se chamará....
Será batizada 6 meses depois a 20 de Junho de 1895,na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição,em Vila Viçosa,com o nome de Flor Bela Lobo....
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 30 Set - 16:28

Filha desejada por seu pai ,que, no entanto ,só a vai perfilhar 10 anos após a sua morte,Flor Bela nasce,contudo,fora do casamento,já que da sua espôsa João Maria Espanca não consegue ter filhos.Com o consentimento dela decide,porém,tê-los doutra mulher,fazendo uso dum velho costume medieval que permitia que um homem tivesse filhos fora do casamento caso a sua mulher fosse estéril...
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 30 Set - 16:39

Deste modo,volvidos sete anos de matrimónio infecundo,João Maria vai procurar a bela e requestada Antónia da Conceição,rapta-a segundo a melhor tradição romântica e acaba por instalá-la na Rua do Angerino,na casa que pertencera à sua família...
Aí passará Antónia o período da gravidêz ,indo para casa dos Espancas após o nascimento da filha para aí a amamentar.Flor Bela é assim criada pela legítima mãe,pelo pai e pela mulher deste,Mariana do Carmo Inglesa Espanca,a qual será sua madrinha de batismo e que merecerá da afilhada-a quem deixará todos os seus bens aquando da sua morte em Dezembro de 1925-o tatamento de Mãe Mariana.
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 1 Out - 12:22

...Cont.Da biografia de:Florbela Espanca

Chega entretanto o dia 10 de Março de 1897-data em que nasce o irmão de Flor Bela,de nome Apeles,fruto da mesma ligação extra_conjugal.Apeles foi,sem dúvida nanhuma ,o ser humano que melhor compreendeu sua irmã,aquele com quem ela mais se abriu,que foi o seu amparo espiritual-aquele a quem,por isso mesmo,naturalmente mais amou e de cuja morte jamais se recompôz.Não é pois,em vão que,após o seu falecimento(quiçá suicídio)ocorrido a 6 de Junho de 1927,em carta dirigida a seu pai escreva a torturada poetisa:"Eu choro o meu maior amor,o meu orgulho,metade da minha alma."
Mas voltemos à infancia desta menina que em Outubro de 1889 começa precocemente a frequentar a secção infantil da escola primária de Vila Viçosa.
Cedo começando a escrever,Flor Bela "muda" o nome para Florbela d'Alma da Conceição Espanca,talvêz por influência paterna;seu pai foi ,aliás,outra das figuras importantes na sua vida,alguém cuja jovialidade marcou os seus primeiros anos,cujo comportamento receberá sempre o seu beneplácito e que será igualmente destinatário de muitas das cartas que ao longo dos seus trinta e seis anos de vida Florbela irá escrever.
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 1 Out - 12:33

...Cont.
Est´-se nos finais de 1903.
Tendo iniciado um mês antes as aulas da 3ªclasse,Florbela escreve,a 11 de Novembro,a sua primeira poesia conhecida,intitulada"A vida e a morte";no dia seguinte outra se lhe sucede-trata-se dum soneto,que começa com "A bondade o som de Deus".Se se atentar ao facto de que Florbela ainda não tem nove anos e na dificuldade que o soneto representa enquanto composição poética,fácil se torna concluir que cedo brotou o génio nesta alma que "já (então)fazia versos,já tinha insónias e(a quem)já as coisas da vida davam vontade de chorar."
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 1 Out - 12:46

...Cont.
Nascia assim a Florbela-artista,até ao fim inseparável da Florbela-mulher,porque sempre e em tudo houve somente uma Florbela:a da poesia generosa,convulsa e ardente do Fogo sob cujo signo nascera,a dos extremos de ternura e das amarguras do sofrimento,dos estados hiperexcessivos de consciência da solidão,da dor-e do Amor.
Por alturas da Primavera de 1911,Florbela começa a namorar com o colega do liceu André de Gouveia em Évora,estabelecimento de ensino que ambos frequentam,É um namoro feliz,despreocupado,sem padecimentos,quiçá a única experiência amorosa que não deixou marcas no seu ser.Entretanto,Florbela vai lendo autores tão diversos como Alexandre dumas,Camilo Castelo Branco e Guerra junqueiro,que lhe vão desvendando novos horizontes de expressão e sensibilidade.
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 1 Out - 12:55

...Cont.
Chega,contudo,o ano de 1912,e com ele a primeira grande paixão de Florbela-uma paixão tão intensa e avassaladora que,apesar dos poucos meses que durou,o seu fim teve um efeito devastador no seu apaixonado e sencível coração feminino,"assim despedaçado para sempre".
Assim,a 8 de Dezembro desse mesmo ano,precisamente no dia em que celebra o seu 19ºaniversário Florbela casa pela primeira vêz,tendo o seu noivo 20 anos.Sob o signo desta união viverá Florbela o período de mais intensa criatividade poética da sua vida,o qual se iniciará em finais de 1915.
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