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 ESPAÇO CULTURAL

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AutorMensagem
Beladona



Número de Mensagens : 506
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sex 2 Mar - 17:36

Vou passar a transcrever um poema que me diz muito,como conceito de vida,e por me ter acompanhado,transcrito nas contracapas dos meus cadernos escolares, de um determinado estabelecimento de ensino que eu frequentei,algures em Moçambique.

De Rudyard Kipling do livro "Rewards and Fairies"

SE (IF)

Se consegues manter a calma
quando à tua volta todos a perdem
e te culpam por isso.

Se consegues ter confiança em ti
quando todos duvidam de ti
e aceitas as suas dúvidas.

Se consegues esperar sem te cansares por esperar
ou caluniado não responderes com calúnias
ou odiado não dares espaço ao ódio
sem porém te fazeres demasiado bom
ou falares cheio de conhecimentos.

Se consegues sonhar
sem fazeres dos sonhos teus mestres.

Se consegues pensar
sem fazeres dos pensamentos teus objectivos.

Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota
e tratares esses dois impostores do mesmo modo.

Se consegues suportar
a escuta das verdades que dizes
distorcidas pelos que te querem ver
cair em armadilhas
ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida
ficar destruído
e reconstruíres tudo de novo
com instrumentos gastos pelo tempo.

Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

Se consegues constringir o teu coração
nervos e força
para te servirem na tua vez
já depois de não existirem
e aguentares
quando já nada tens em ti
a não ser a vontade que te diz:
"Aguenta-te!"

Se consegues falar para multidões
e permaneceres com as tuas virtudes
ou andares entre reis e pobres
e agires naturalmente.

Se nem inimigos
ou amigos queridos
te conseguem ofender.

Se todas as pessoas contam contigo
mas nenhuma demasiado.

Se consegues preencher cada minuto
dando valor
a todos os segundos que passam

Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda
tu serás um Homem,meu filho!
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 3 Mar - 18:49

Hoje,dia 04-03-2007,é o Dia da Mulher,e como tal ,passo a transcrever um soneto feito por uma Mulher que lutou e sempre defendeu a Mulher e os seus direitos até no Parlamento:de Natália Correia poetisa/deputada açoriana

NA CÂMARA DE REFLEXÃO
IV

Reúno coisas comovidamente:
Da mãe,o xaile azul,do namorado
Um beijo no Relvão,da avó demente,
O anjo que cantava no telhado;

Da ilha,a hota lassa que ao poente
Rendia o mar a um sono nacarado,
De febris coisas,já no Continente,
Num clarão de ametistas,o amado,

Dos meus passos da cruz,as cicatrizes;
Da minha estrela errante,outros países;
Do breve encontro,um rosto que se esfuma...

Coisas que em busca da sua ligação
Reúno.Absurda sensação
De as juntar e não ter coisa nenhuma.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 4 Mar - 13:53

Lindo, minha cara amiga. Mas....se me permite, o Dia Internacional da Mulher será dia 8 de Março.

Um abraço
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 4 Mar - 14:52

Cara amiga

Lol,tem toda a razão...eu já estava um pouco ensonada e já não estava a fazer coisa com coisa.Dia 8 vou colocar outro.

Um abraço da Beladona
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Seg 5 Mar - 10:00

Ora bem e os cavalheiros também podiam fazer o mesmo.
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qua 7 Mar - 19:01

Cara amiga,cá estou eu de novo,e desta vez,mesmo no Dia Internacional da Mulher (08-03-07).

Volto a transcrever mais um soneto da poetisa/deputada açoreana Natália Correia,que muito prezo,pela sua força e personalidade

Ó Véspera do Prodígio!-IV

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas,nas fadas,nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível,nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.Ámen.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sex 9 Mar - 11:07

Cara amiga

Por falta de tempo, nada deixei aqui no dia 8. Deixo agora um pouco de Fernando Pessoa que parece mesmo falar da minha cara Beladona.

A felicidade exige valentia.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sex 9 Mar - 17:38

Ai querida amiga que lindo!Mas,são só os seus olhos bondosos e carinhosos,eu fiquei muito sensibilizada com a sua dedicatória,mas olhe,que eu englobá-la-ia na dedicatória,até com mais mérito que eu...

Mil beijinhos para si,e passo a transcrever,oferecendo-lhe uma muito simples mas doce canção de amor dos índios Shoshone.

A Amiga do Coração

Linda é a estrela branca do entardecer,
E o céu mais claro
Ao final do dia;
Mas é ainda mais linda,ainda mais querida,
Ela,a amiga do meu coração!

Linda é a estrela branca do entardecer,
E a lua vagueando
Para os confins do céu
Mas é ainda mais linda,mais digna de amor,
Ela,a amiga do meu coração!
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 10 Mar - 11:05

Gostei muito cara amiga. Isto até parece uma troca de galhardetes, mas eu ainta tenho de andar muito até "chegar aos seus calcanhares".

Um abraço amigo
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 11 Mar - 14:22

Não diga isso cara amiga,e não se menospreze nunca.
Um beijinho

Passo a transcrever um poema que é uma lição de vida (como o poema Se) e que como falei nele ao nosso amigo Diogo Ventura no fórum DR(num post entretanto retirado pela administração do mesmo),e como sei que ele é leitor deste tópico,facilito-lhe assim a sua procura do poema.
De Max Hermann

DESIDERATA (Para ser feliz...)

Siga tranquilamente entre a pressa e a inquietude,
lembrando-se que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível,sem se humilhar,
mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros,
mesmo a dos insensatos e ignorantes,
pois eles também têm a sua própria história.
Evite as pessoas escandalosas e agressivas.
Elas afligem o nosso espírito.
Se você se comparar com os outros,
tornar-se-à presunçoso e magoado,
pois haverá sempre alguém superior e alguém inferior a você.
Você é filho do Universo,
irmão das estrelas e árvores.
Você merece estar aqui,
e mesmo sem você perceber,
a Terra e o Universo vão cumprir o seu destino.
Desfrute das suas realizações,
bem como dos seus planos.
Mantenha-se interessado na sua carreira,
ainda que humilde,
pois ela é um ganho real na fortuna cambeante do tempo.
Tenha cautela nos negócios,
pois o Mundo está cheio de astúcias,
mas não se torne um céptico,
porque a virtude sempre existirá.
Muita gente luta por altos ideais,
e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo,principalmente.
Não simule afeição.
Não seja descontente do amor,
porque mesmo diante de tanta aridêz e tanto desencanto,
ele é tão perene quanto a selva.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos,
e seja compreensivo,
com os arroubos inovadores da juventude.
Alimente a força do espírito,
que o protegerá no infortúnio inesperado,
mas não se desespere com perigos imaginários.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão,
e a despeito de uma disciplina rigorosa.
Seja gentil para consigo mesmo.
Portanto,esteja em paz com Deus,
como quer que você o conceba,
e quaisquer que sejam seus trabalhos e as aspirações.
Na fatigante confusão da vida,
mantenha-se em paz com a sua própria alma,
apesar de todas as falsidades,fadigas e desencantos.
O Mundo ainda é bonito.
Seja prudente e faça tudo para ser feliz!
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 18 Mar - 18:14

Hoje é o Dia do Pai,e em consideração a ele,passo a transcrever um poema que é uma pequena manifestação da minha parte para alguém,que é,ou foi tão importante nas nossas vidas.
De um autor anónimo:

PAI

Tu-Que passaste noites e noites a embalar os meus sonhos;
Tu-Que algumas vezes me mudaste a fralda,sempre com um sorriso;
Tu-Que te fizeste menino e brincaste comigo e com os meus brinquedos;
Tu-Que "babado" me passeavas no jardim,como se eu fosse a criança mais bonita da Terra;
Tu-Que tentas sempre escutar as minhas dúvidas;
Tu-Que te preocupas sempre com a minha segurança e conforto;
Tu-Que te esforças por me acompanhar na velocidade louca da vida;
Tu-Que foste,és e serás o "anjo da guarda" da minha caminhada...
-Como é bom sentir a sensação maravilhosa de chamar-te PAI!
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Seg 19 Mar - 15:53

O Monge e a Prostituta

Vivia um monge nas proximidades do templo de Shiva.

Na casa em frente, morava uma prostituta.

Observando a quantidade de homens que a visitavam, o monge resolveu chamá-la.

- Você é uma grande pecadora, repreendeu-a. - Desrespeita a Deus todos os dias e todas as noites. Será que você não consegue parar e refletir sobre a sua vida depois da morte?

A pobre mulher ficou muito abalada com as palavras do monge; com sincero arrependimento orou a Deus, implorando perdão.

Pediu também que o Todo-Poderoso a fizesse encontrar uma nova maneira de ganhar o seu sustento.

Mas não encontrou nenhum trabalho diferente.

E, após uma semana passando fome, voltou a prostituir-se.

Mas, cada vez que entregava seu corpo a um estranho, rezava ao senhor e pedia perdão.

O monge, irritado porque seu conselho não produzira nenhum efeito, pensou consigo mesmo:

- A partir de agora vou contar quantos homens entram naquela casa até o dia da morte dessa pecadora.

E, desde aquele dia, ele não fazia outra coisa a não ser vigiar a rotina da prostituta: a cada homem que entrava, colocava uma pedra num monte.

Passado algum tempo, o monge tornou a chamar a prostituta e lhe disse:

- Vê este monte? Cada pedra dessa representa um dos pecados mortais que você cometeu, mesmo depois de minhas advertências. Agora torno a dizer: cuidado com as más ações!

A mulher começou a tremer, percebendo como se avolumavam seus pecados.

Voltando para casa, derramou lágrimas de sincero arrependimento, orando:

- Oh, Senhor, quando vossa misericórdia irá me livrar dessa miserável vida que levo?

Sua prece foi ouvida.

Naquele mesmo dia, o anjo da morte passou por sua casa e a levou.

Por vontade de Deus, o anjo atravessou a rua e também carregou o monge consigo.

A alma da prostituta subiu imediatamente aos céus, enquanto os demônios levaram o monge ao inferno.

Ao cruzarem no meio do caminho, o monge viu o que estava acontecendo e clamou:

- Oh, Senhor, essa é a Tua justiça? Eu, que passei a minha vida em devoção e pobreza, agora sou levado ao inferno, enquanto essa prostituta, que viveu em constante pecado, está subindo ao céu!

Ouvindo isso, um dos anjos respondeu:

- São sempre justos os desígnios de Deus. Você achava que o amor de Deus se resumia a julgar o comportamento do próximo. Enquanto você enchia seu coração com a impureza do pecado alheio, essa mulher orava fervorosamente dia e noite. A alma dela ficou tão leve depois de chorar, que podemos levá-la até o paraíso. A sua alma ficou tão carregada de pedras, que não conseguimos fazê-la subir até o alto.

(Texto encontrado sem referência à autoria)
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 22 Mar - 15:40

Vinicius de Moraes


Poema enjoadinho

Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 7 Abr - 12:45

Caros amigos

Passo a transcrever um poema de Castro Alves:

Fados Contrários

Diz à flor a borboleta:
"Vamos,irmã,tudo é luz!
Há muito prisma doirado
Que pelos ares transluz...
Tuas pétalas são asas...
Das nuvens nas nuvens gazas,
D´aurora nos seios nus
Tens um ninho entre perfumes...
Vamos boiar,entre lumes
Desses páramos azuis".

À linda filha dos ares,
Responde a silvestre flor:
"Eu amo o gemer das auras
E o beijo do beija-flor...
Se és do céu a violeta,
Sigo um destino menor,
Buscas o céu - eu a alfombra,
Queres a luz - quero a sombra,
Pedes a glória - eu peço amor".
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qui 24 Maio - 14:12

Há minha amiga Rosa,da qual estou cheia de saúdades,pelo menos neste espaço,para não falar nos restantes tópicos.Um beijinho e por favor,apareça,vá lá...

Passo a transcrever de Fernando Pessoa o soneto:

EM BUSCA DA BELEZA
I

Soam vãos,dolorido epicurista,
Os versos teus,que a minha dor despreza;
Já tive a alma sem descrença presa
Desse teu sonho,que perturba a vista.

Da Perfeição segui em vã conquista,
Mas vi depressa,já sem a alma acesa,
Que a própria ideia em nós dessa beleza
Um infinito de nós mesmos dista.

Nem à nossa alma definir podemos
A Perfeição em cuja estrada a vida,
Achando-a intérmina,a chorar perdemos.

O mar tem fim,o céu talvez o tenha,
Mas não a ânsia da Coisa indefinida
Que o ser indefinida faz tamanha.
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sab 9 Jun - 18:07

Hoje é dia de Portugal,de Camões e das Comunidades,apesar de ser um feriado republicano,não posso deixar de transcrever para este dia uma das mais conhecidas passagens do Canto Primeiro do poema do nosso grande Camões:
Os Lusíadas
Canto Primeiro
I
As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos,e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino que tanto sublimaram;
II
E também as memórias gloriosas
D'aqueles Reis,que foram dilatando
A Fé,o Império,e as terras viciosas
De África,e da Ásia andaram devastando;
E aqueles,que por obras valorosas
Se vão da lei da morte libertando-
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte!
III
Cessem do sábio Grego,e do Troiano
As navegações grandes,que fizeram;
Cale-se de Alexandre,e de Trajano
A fama das vitórias,que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano
A quem Neptuno,e Marte obedeceram;
Cesse tudo o que a Musa antiga canta-
Que outro valor mais alto se alevanta!
...
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 10 Jun - 17:16

Como este Dia de Portugal,das Comunidades e de Camões foi celebrado em Setúbal,tomo a liberdade de transcrever um soneto do nosso intitulado príncipe dos poetas pré-românticos, oriundo desta linda terra da margem sul do Tejo: Manuel Maria Barbosa du Bocage

[/b]Sentimentos de contrição,e arrependimentos da vida passada[b]

Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões,que me arrastava;
Ah!Cego eu cria,ah!mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana:

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal,que a vida em sua origem dana.

Prazeres,sócios meus,e meus tiranos!
Esta alma,que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos:

Deus,oh Deus!...Quando a morte à luz me roube
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.
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Longair



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Qua 13 Jun - 13:12

Bem este espaço deveria mais se chamar: os Monarquicos também gostam de poesia (eu nem por isso) mas algo tipo Poesia em Monarquia etc....
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Sex 27 Jul - 15:03

Hoje como estou com um imenso sentimento de perda vou transcrever um soneto de Florbela Espanca que muito se identifica com este meu momento:

NEURASTENIA

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
Um sino dobra em mim ave-marias!
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,
Faz na vidraça rendas de Veneza...

O vento desgrenhado chora e reza
Por alma dos que estão nas agonias!
E flocos de neve, aves brancas, frias,
Batem as asas pela Natureza...

Chuva...tenho tristeza! Mas porquê?!
Vento...tenho saudades! Mas de quê?!
Ó neve que destino triste o nosso!

Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Digam isto que sinto que eu não posso!!...

(in memoriam... ...)
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Dom 12 Ago - 13:34

Hoje faria 100 anos se fosse vivo, o médico e poeta/escritor Miguel Torga (Dr.Adolfo Rocha).

Como uma muito singela homenagem passo a transcrever o poema:

Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais.
Que são três.
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer de mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Cain.

Me confesso de ser Homem,
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui,diante de mim!
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MensagemAssunto: Re: ESPAÇO CULTURAL   Hoje à(s) 17:13

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