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 Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?

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Longair



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Data de inscrição : 29/08/2006

MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sex 2 Fev - 12:50

que espera o estado laico de chamar á pedra certas hostes clericais ou seus responsaveis para pararem de influenciar outros atraves da omilia, no sentido de voto
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sex 2 Fev - 13:09

Isto tudo é resultado da vergonha do Governo Sócrates, ter feito um referendo. Legislava como é sua obrigação, que é para isso que lhe pagam e é para isso que tem maioria no parlamento e não nos obrigada a mais despesas e a mais conflitos nesta sociedade cada vez mais problemática. Mas, claro, tem medo de perder votinhos e o ordenadinho, despesas de representação, carrinhos oferecidos, viagens muito enfadonhas por esse mundo fora..........aI, COMO EU GOSTAVA DE UM REFERENDO SOBRE O AUMENTO DOS IMPOSTOS, SOBRE AS TAXAS MODERADORAS, SOBRE A REFORMA DOS POLÍTICOS, ETC, ETC, ETC.
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Rider



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sex 2 Fev - 20:02

Também acho que não deveria haver referendo. Uma situação destas é uma vergonha, e como governo de esquerda que o PS diz que é, só estaria a cumprir a sua obrigação ao legislar a não penalização.

Bem hajam.
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sab 3 Fev - 10:32

Caros amigos,têm toda a razão no que dizem.

Passo a transcrever mais uma crónica da jornalista Fernanda Câncio,que saiu hoje 03-02-2007 no DN.:

Uma lei na aparência

23 anos.É o tempo de vigência da lei que temos,a que diz que a mulher que aborta,mesmo se nas primeiras semanas de gravidez,é uma criminosa punida com pena de prisão até três anos.Para que serve esta lei?Que valores defende?Que bem preserva?

Não pode ser o do direito à vida do embrião(ou do feto)porque as excepções que admite e legaliza incluem,para além do aborto de um feto fruto de violação(até às 16 semanas),o daqueles(até aos seis meses)com trissomia 21,ou anões,ou sem braços nem pernas,ou com outra deficiência que os médicos considerem"desagradável"que baste para justificar,aos seus olhos,que a grávida o rejeite.Não pode ser o de dissuadir as mulheres de abortar porque toda a gente,à excepção de César das Neves,Gentil Martins e párocos sortidos,parece estar de acordo sobre o facto de elas não deverem ser tratadas como criminosas e a necessidade de não lhes aplicar pena.Não pode ser a protecção das mulheres porque não se protege ninguém ameaçando com pena de prisão e recusando o acesso aos serviços de saúde àquelas-dezenas de milhar,dizem as estimativas-que mesmo assim abortam.Não pode ser justiça porque quem tem dinheiro faz como entender,de preferência fora de fronteiras,e quem não tem corre risco de vida para fazer o que entende que tem de fazer.

Uma lei que não serve para nada destas coisas para nada serve.Uma lei que só serve para dizer:"faz como entenderes,mas faz longe da minha vista e sobretudo nunca digas que fizeste"é uma lei que não preserva nem protege nada,só mantém as aparências.E mal.Até porque,de vez em quando,mata meninas de 14 anos.
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sab 3 Fev - 11:00

Cara Beladona, o artigo está excelente, e existe nele uma frase magnânima:"faz como entenderes,mas faz longe da minha vista e sobretudo nunca digas que fizeste" Esta pequena frase, caracteriza de uma forma ampla, a mentalidade da sociedade portuguesa no dia a dia. A tal sociedade feita cada vez mais de hipocrisia e aparência. A tal sociedade cada vez mais medieva na aparência em que tudo se faz na penumbra. Uma sociedade cada vez menos transparente, sincera e directa.

Um abraço
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V.A.L.F.



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Sab 3 Fev - 12:43

Gostei da análise a este tema por Joaquim Aguiar ontem no "Choque Ideológico" na RTPN. Também concordo que não se deve estigmatizar as mulheres que pretendem interromper a gravidez, devendo ser assegurado o seu anonimato. A mulher entre num centro de saúde, e o que lá faz é com ela. É assim que deve ser. Por isso não me agrada nada o negócio que se anuncia, com a abertura em Portugal de clínicas para abortos de espanhóis. Acho isso degradante para as mulheres. Mas esta questão já tem a ver com a regulamentação da lei, após a vitória do Sim, que eu espero que aconteça. Vamos ver.

Há que estar atento à regulamentação da lei, até porque é necessário ter em conta que a despenalização pode trazer alguns efeitos perversos. Não pode acontecer com o aborto o que aconteceu com a pílula do dia seguinte, que tem um uso anormal em Portugal. Seria extremamente negativo para as mulheres se isso acontecesse. Neste tempo de flagelo da SIDA não se pode facilitar. É esse o meu único receio com a vitória do Sim...
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Longair



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Dom 4 Fev - 16:37

quer acrescentar que acho uma ignominia os médicos contra o aborto, afinal tb tem direito de escolha no tratamento ou estão debaixo do juramento de hipocrates ou so estão apegados ao famoso codigo deontologico.
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Reiziger



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Data de inscrição : 20/12/2006

MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Dom 4 Fev - 19:50

Longair escreveu:
que espera o estado laico de chamar á pedra certas hostes clericais ou seus responsaveis para pararem de influenciar outros atraves da omilia, no sentido de voto

E porque deverá faze-lo? As pessoas vão à missa porque querem e a Igreja é livre de manifestar a sua posição como qualquer outra associação. Não é calando as vozes contrárias que se obtém resultados é argumentando melhor que eles.

Longair escreveu:
quer acrescentar que acho uma ignominia os médicos contra o aborto, afinal tb tem direito de escolha no tratamento ou estão debaixo do juramento de hipocrates ou so estão apegados ao famoso codigo deontologico.

Os médicos são pessoas com direito de opinião. O facto de serem médicos até lhes dá conhecimentos técnicos acrescidos e uma vivência da experiência para poderem estar em melhores condições de julgar a via cientifica deste tema. Contudo até eles divergem porque uns focam-se exclusivamente no lado racional e outros no emocional. Sendo pessoas é natural que não tenham todos a mesma opinião.

Mais, pelo seu código deontológico, ninguém neste país pode obrigar um médico a exercer um acto técnico contrário à sua consciência. Se o sim ganhar ninguém pode obrigar um obstetra do SNS a praticar um aborto caso ele se recuse, por ser objector de consciência.

Os médicos são tecnicamente independentes de qualquer hierarquia laboral por duas ordens de motivos. Primeiro, se fizerem asneira não se podem desculpar com o "estarem a cumprir ordens"; segundo, não estarem dependentes de pressões vindas de terceiros que visem decisões que atentem contra o bem-estar do paciente, nomeadamente pressões de carácter económico.
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 12:45

A mão de Deus e a hipocrisia nacional, por António Cerveira Pinto, in http://oam.risco.pt/2006/11/portugal-e-o-aborto.html

"Comecemos pelo princípio: a proposta de referendo aprovada pela Assembleia da República e a que seremos chamados a votar em 11 de Fevereiro de 2007 não é sobre a liberalização do aborto, mas apenas sobre a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas de gestação. Não sei o que levou o PS a baixar o prazo inicial de 12 semanas.

Apesar de estar em causa um processo de decisão política tipicamente democrático, a hierarquia católica não se coibe de intrometer-se onde não é chamada. Este não é definitivamente o seu reino, mas a velha e reaccionária Igreja portuguesa (através da sua famosa Conferência Episcopal) ameaça uma vez mais abusar das suas prerrogativas e tribunas dominicais para coagir os seus fieis e promover o escândalo em volta de um tema que só à democracia compete decidir. Fá-lo como instituição hipócrita e historicamente comprometida com o autoritarismo, a corrupção e o atraso económico e cultural do país. Fá-lo em nome de uma fé atávica sibilinamente manipulada. Fá-lo pela voz dos fariseus que administram os tristes templos da cristandade. Fá-lo sem sequer ter a humildade de reconhecer que nem tudo vai bem nos corredores sombrios da sua evidente a antiquíssima misoginia. Fá-lo sem que dela se ouça um único e sincero protesto contra quem sistematicamente promove a corrupção, a fome e a guerra no mundo. No caso das massivas carnificinas programadas de seres humanos, o verbo hipócrita dos cardeais torna-se, em nome da bíblica separação de poderes, abstracto e geral. Mas no caso do aborto, como se de uma ultima ratio essencial à vitalidade do seu poder se tratasse, a igreja católica julga ter uma palavra inalienável a dizer, por cima da legitimidade democrática instituída e contra o Estado que a subsidia generosamente. A igreja católica apostólica romana de Portugal, ao referendo do aborto, disse e votará "Não", apesar da tímida tentativa do Cardeal Patriarca de Lisboa de fazer ver que o tema não era do foro religioso. Tentará, pois, arrastar ilegitimamente a maioria dos seus fieis para o apoio ao encarceramento das mulheres que abortam(1). Talvez fosse bom começarmos por exigir à instituição paroquial lusitana a devolução dos subsídios financiados pelos nossos impostos, em razão do óbvio desvio dos objectivos e destinatários da sua esperada aplicação. Foi assim que os socialistas espanhois começaram, com sucesso, a quebrar a espinha do arqui-reaccionário poder católico espanhol.

Para alguns católicos, em nenhum caso pode uma mulher, homen ou instituição decidir sobre a vida humana intra-uterina. Desde o momento da fertilização até ao eventual nascimento de uma criança a vida humana é coisa sagrada, que só a mão invisível de Deus pode comandar. Por esta mesma ultima ratio o Vaticano opõe-se à eutanásia, mesmo nos casos de doenças incuráveis e extemamente dolorosas; opõe-se à masturbação masculina (na realidade, cada ejaculação realizada fora de um coito entre homem fértil e mulher em idade de procriação pode ser vista como um verdadeiro genocídio de 180 a 400 milhões de espermatozóides!); e opõe-se ao suicídio. Não se opõe, que eu saiba, com o mesmo vigor, à pena de morte ou à guerra.

A igreja católica continua, porém, a exaltar, ou pelo menos a tolerar, a auto-flagelação da carne e o martírio em nome da purificação e da fé. Esta religião defende, pois, a vida como um dom que só Deus pode dar e tirar, salvo se a sua própria lei ou os Estados dispuserem de outra forma! Quando benze as tropas nas vésperas e durante os grandes morticínios civis, coloniais e inter-estatais, quando assiste alegremente ao exercício criminoso, tantas vezes sanguinário e letal das ditaduras, quando "perdoa" os condenados à morte nas vésperas da execução, sem um protesto sequer contra sistema penal que autoriza o assassinato legal de seres humanos, esta igreja aceita sem indignação, sem crítica e sem remorso a mão pesada de César.

No entanto, quando está em causa dirimir os grandes dilemas da história humana, sobretudo quando dizem respeito a dramas profundos, ou à nossa intimidade biológica e antropológica, evidente na interrupção voluntária de uma gravidez, esta igreja hipócrita revela uma inacreditável frieza, insensatez, crueldade ideológica e cinismo político.

Percebo que a vida e a morte tenham sempre constituído o seu inatacado latifúndio especulativo. Mas tal como a reflexão do Papa Benedictum XVI serviu para atacar o fanatismo irracional dos extremistas islâmicos, em nome daquilo que ele chamou, e bem, a superioridade racional do Cristianismo, deveria também servir aos crentes católicos informados para saberem dirimir os conflitos éticos gerados por alguns dos mais antigos e fundamentais dilemas da vida humana na direcção da prudência histórica, mas também de uma corajosa racionalidade humanista.

Quanto aos médicos-especuladores e sirenes parlamentares que proclamam em nome da ciência a sua oposição à legalização do aborto voluntário até às dez semanas, convem dizer que não existe nenhuma verdade científica sobre este tema, mas sim várias perspectivas de abordagem, confluindo as mais recentes e razoáveis para a ideia de que, por um lado, vida humana e ser humano são filosofica e legalmente duas coisas diferentes, e que, por outro, a formação da consciência, ainda que na forma mais primitiva, ou puramente neurológica, tal como o apetrechamento da vida humana para a existência pós-umbilical, nunca poderão ocorrer antes das 24-27 semanas de gestação. Há vida humana, quer dizer informação genética única (e divina da perspectiva dos crentes) no espermatozóide do homem e no óvulo da mulher, mas não há nenhum ser humano potencial até que as formas, os tecidos, os órgãos e as funções essenciais à existência independente de um ser humano tenham sido desenvolvidos no interior do corpo materno, e isto não acontece se não depois de haver actividade cerebral comprovável e capacidade de respiração autónoma. Recomendo vivamente o equilibrado artigo de Scott F. Gilbert sobre o suposto consenso científico em volta da definição de vida humana e ser humano ? When Does Human Life Begin?

Descriminalizar o aborto voluntário até às 10 ou até às 12 semanas é uma decisão lógica do ponto de vista político, humana do ponto de vista civilizacional e democrática do ponto de vista cultural. Trata-se, no fundo, de decidir sobre uma questão muito difícil, mas inadiável, usando a razão e sobretudo o conhecimento, quer dizer, o estudo contínuo e sistemático de todas as envolventes do problema. A pergunta do referendo proposta pelo PS é muitíssimo prudente, se não mesmo conservadora. Ainda assim é um passo essencial para impedir que a barbárie penal prossiga, sob os auspícios perversos da hierarquia católica, de médicos hipócritas e de uma boa dúzia de juízes impróprios num regime democrático.

A interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas deverá ser um direito responsavelmente partilhado pela mulher que aborta, pelo seu parceiro e pela comunidade. Esta última tem a obrigação científica, social e política de acompanhar de perto este tema tão sensível. Quanto ao inenarrável presidente da Ordem dos Médicos e alguns dos respectivos associados, pseudo devotos do juramento de Hipócrates (segundo o qual nenhum médico poderia exercer cirurgia...), a receita é enviá-los directamente para a medicina privada. No Estado, as regras democráticas são para cumprir!"


Última edição por em Seg 5 Fev - 12:53, editado 1 vez(es)
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Longair



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 12:48

o estado é laico dai a igreja pode ter opinião mas usar a mesma como arma de arremesso, sobre os médicos tb podem ter direito a opinião mas recusarem-se a fazer ou tratar um aborto ou mais ainda, recusar ajuda a quem quer abortar
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cunha



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 13:38

Caros Amigos

Sou monarquico, e ateu, mas a esta pergunta que nos é hábilmente colocada:

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

Eu respondo : Não.

Mesmo que me digam que abortar é moderno. Mesmo que me digam que a Igreja é pelo Não, e que como ateu deveria ter a posição contrária. Mesmo que me digam que se se trata de dar mais direitos às mulheres. Porque não acredito em nada disto.

Confesso que ainda considerei abster-me, por ter dúvidas. Nesta questão, os juristas dividem-se. Os médicos dividem-se. Mas são as minhas dúvidas sobre se um humano com nove semanas e seis dias tem menos direito à vida do que um mesmo humano com dez semanas e um dia, que me levam ao voto Não.

Acredito que a liberalização do aborto viola os direitos humanos fundamentais: É contrária ao texto e ao espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo artigo 3º diz que «Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal». E o artigo 24º da Constituição da República Portuguesa que afirma que - no 1º parágrafo - «A vida humana é inviolável». Ao responder Sim a esta questão prescindimos do direito à vida humana do indivíduo por nascer.

Ao longo da história cometeram-se atrocidades contra a humanidade por não se reconhecer humanidade às suas vítimas. Os hereges foram diabolizados e por isso torturados e queimados até à morte; os povos africanos não eram vistos como mais que animais de trabalho, e por isso escravizados até à morte. Foram os pioneiros do pensamento progressista os primeiros a reconhecerem-lhes humanidade. E agora, com o aborto, o que vemos? Vemos que se vende a ideia de modernidade ligada a uma espécie de pena de morte, a título duma ideia de liberdade sexual antiquada e assente nos ideais de irresponsabilidade dos anos setenta do século passado.

Porque, convenhamos, uma mulher não engravida espontaneamente. Um feto não é um tumor que aparece não se sabe como. Criticamos o Vaticano por afirmar que o preservativo não previne a 100% uma gravidez, e agora vimos sustentar a desresponsabilização do acto sexual pelo facto dos métodos contraceptivos não serem 100% eficazes?

Colocar esta questão como uma «perseguição às mulheres» é uma forma desonesta de transformar uma discussão dos direitos humanos para uma questão que não é só das mulheres. Ao atribuir à mulher - «por opção da mulher», entre vírgulas, como lemos na questão - e só à mulher a decisão, anulam-se os direitos de paternidade dos homens. À luz desta liberalização, não estaríamos apenas a dar direitos às mulheres - estaríamos a retirá-los por completo aos homens, que deixam de poder ficar com filho mesmo que a mãe não o deseje, assim como retiraríamos do conceito de paternidade tudo o resto que não o mero dispensar de espermatozóides.

Seja em que campanha for, seja para defender o que quer que seja, parece ser de consuetudo chamar «hipócrita» aos defensores da posição contrária. Para que este meu humilde texto não destoe da formatação em vigor, permitam-me agora que insinue ser hipócrita a defesa da liberalização do aborto duma vida humana em estágios de complexidade superior ao de animais melhor protegidos por sociedades protectoras desses.

Outros epítetos lançados aos defensores do Não ficarão por responder, por indisponibilidade de fazer desta séria discussão, um exercício de adjectivação agressiva ao estilo de Francisco Louçã agora amplamente imitado por outros movimentos e partidos. Parece-me agressivo contra a vida, isso sim, vir a financiar abortos num país onde as fertilizações in vitro não o são.

Votar Sim não resolve o problema das mulheres que querem abortar às 11 semanas. Votar Sim não resolve o problema da privacidade das mulheres que abortariam, pois segundo o que o Ministro Correia Campos alertou, «o anonimato seria impossível em hospitais públicos». E convidado a calar-se.

Um ministro que é convidado a não dizer nada que não vá contra a posição oficial partidária. Dos catorze movimentos pelo Não para cinco pelo Sim, estabelece-se que o tempo de antena será divido por posições e não por movimentos, como se nas legislativas se dividissem os tempos entre «esquerda» e «direita». Os defensores do Não estão em terreno desfavorável.

Como ateus, sabemos que o ser humano é criação dos humanos. Sejamos então conscientes e responsáveis.

Voto em consciência. Voto sobretudo em nome daqueles que ainda não são conscientes, tendo ou não nascido, porque se tudo correr bem, tê-la-ão.

Desculpem o longo desabafo

VCM
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Longair



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 13:41

Não se desculpe como a sua opinião caro cunha, por aqui não batemos nem expulsamos ou mal dizemos quem tem opinião e a expressa de uma maneira clara e educada, um obrigado pela mesma Smile
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 15:08

Cara V.A.L.F.

Desejo em primeiro lugar apesar de um pouco tardio,que se sinta à vontade e bem entre nós.

Para as mulheres não serem estigmatizadas e terem um acompanhamento médico e psicológico que as apoie num momento sempre tão difícil e solitário das suas vidas,era bom que o Sim à Descriminalização à IVG ganhasse,pois daria estas possibilidades às mulheres especialmente às de menores recursos económicos e as mulheres que por opção própria e religiosa não quizessem praticar o aborto teriam toda a liberdade para não o fazerem,pois ficaria à consignação da sua consciência.

O que não acontece com o Não (caso ganhe esta opção),que limita a mulher,forçando-a às práticas clandestinas com os altos índices de mortalidade e problemas de saúde futuros,podendo até ficarem estéreis.Podendo além disso ir a tribunal e até presas.

Quanto aos pontos negativos que a cara amiga aponta da regulamentação da lei,tenhamos esperança que tudo corra a contento.

Mas,neste momento,a premência da situação está no já muito próximo referendo.

Um abraço da Beladona
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Beladona



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 16:01

Caro senhor Cunha

A questão da Descriminalização da IVG não tem nada a ver ou não deveria ter com crenças religiosas,opções políticas,modas,direitos dos animais,etc.,etc.Tem isso sim,com o direito que a mulher que pratica o aborto não vá a tribunal e possivelmente à cadeia e,a ter todo o acompanhamento médico e psicológico a que tem direito.Se o Sim ganhar dá plena liberdade à mulher de praticar ou não o aborto com todas as condições,consoante a sua consciência e crenças pessoais assim lho ditarem.

O amigo foca a Liberalização do aborto,que não faz parte da questão focada no referendo.

Quando o amigo evoca o direito do pai,tem toda a razão,em princípio há sempre a via legal se não se chegar a acordo,mas se o casal fôr estável concerteza que chegarão a um acordo quanto a um possível aborto,se o homem é dos que se volatizam,não sei qual o problema que haverá em não ser tida em conta a sua parte.

Enfim,o caro amigo está no seu direito de ter as suas opiniões,embora eu as ache um tanto ou quanto confusas,mas para todos os efeitos respeito-as.

Um abraço da Beladona
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Reiziger



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Seg 5 Fev - 21:12

Longair escreveu:
o estado é laico dai a igreja pode ter opinião mas usar a mesma como arma de arremesso, sobre os médicos tb podem ter direito a opinião mas recusarem-se a fazer ou tratar um aborto ou mais ainda, recusar ajuda a quem quer abortar

Ó longair e o PCP? Será que deve posicionar-se no seu todo pelo sim, por decisão do polit bureau? Armas de arremesso e tal todos usam as que querem e daí? E se todos fossemos pela despenalização e a associação dos carpinteiros viesse dizer que era pelo não porque ao domingo um gajo encharca-se de tinto e depois num bê o boto...mandavamos os gajos calarem-se ou argumentavamos?

Pois disseste bem, é que para alguns médicos abortar não é tratar da saúde nem ajudar ninguém, entendem que viola os princípios pelos quais eles se regem e estão no seu direito e protegidos pela Lei. Não é uma coisa bonita de se fazer e nem toda a gente tem estômago para isso, vais ver queres obrigar um médico a praticar um aborto quando defendes que uma mulher não tem de ser obrigada a levar uma gravidês até ao fim?

Não pode ser, há que ter abertura de espírito para aceitar a diferença do Sim para o Não e do Não para o Sim. Isto não é uma guerra, é um referendo.
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cunha



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 1:01

Beladona escreveu:

O amigo foca a Liberalização do aborto,que não faz parte da questão focada no referendo.

Quando o amigo evoca o direito do pai,tem toda a razão,em princípio há sempre a via legal se não se chegar a acordo

Enfim,o caro amigo está no seu direito de ter as suas opiniões,embora eu as ache um tanto ou quanto confusas,mas para todos os efeitos respeito-as.

Um abraço da Beladona

Cara Amiga

Se o sim ganhar, o aborto fica livre e dependendo apenas da vontade da mulher até às 10 semanas o que é isto senão Liberalização?

A via legal? Como? Se o sim ganhar a mulher não precisa do consentimento do companheiro para abortar, não precisa sequer de o informar.

Quanto a achar as minhas opiniões confusas, eu também acho as suas confusas, mas nada mais normal, estamos todos confusos com esta questão que tão mal e tão pouco claramente nos é agora colocada pelos politicos.

VCM
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vm



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 7:32

A Defesa da Morte

(Artigo publicado no site http://www.accaofamilia.pt)

Ao longo de todo o processo que antecedeu a iniciativa de marcar um novo referendo sobre a questão do aborto em Portugal, tem-se assistido a uma deturpação de factos de forma a convencer o eleitorado português de que a modernidade e a ciência apoiam a despenalização.

Antes de mais e acima de tudo o aborto, em qualquer circunstância é imoral. A morte de um ser humano não pode ser empregue como recurso para a resolução de problemas sociais ou de outra natureza. A utilização de argumentos como é o da inadequação da Lei à Norma são demagógicos e em certa medida falsos. Será que pode o estado abolir todas as Leis que os cidadãos não gostam de cumprir, ou que lhes custam ser forçados a respeitar? Não entraríamos, partindo dessa linha de pensamento, na anarquia através da destruição do fundamento da própria necessidade de existência de um estado regulador e responsável pela observância de princípios éticos e morais por parte da Sociedade…

A questão do aborto é no fundo como tantas outras em Portugal. Quando se procura a sua implementação no nosso país é certamente porque no resto do mundo se compreendeu já não ser a solução a seguir . De resto encontram-se bastantes similitudes com o processo da co-incineração de produtos industriais perigosos. Quando na Europa este processo está a ser substituído, em Portugal procura-se a sua implementação à revelia daquilo que são os princípios éticos e científicos mais básicos. Também no caso do aborto, eufemisticamente apelidado de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), a esquerda portuguesa procura adoptar uma medida que nos restantes países desenvolvidos já se percebeu não ser a solução.

Vejamos senão o caso americano. Os Estados Unidos, país que possui uma cultura democrática invejável assim como um respeito pelas liberdades individuais sem paralelo na Europa, começa a compreender o erro crasso dado há décadas com a liberalização do aborto.

Hoje, 90% dos Condados americanos (o equivalente ao nosso município) não tem qualquer clínica de aborto e em muitos Estados, estão mesmo reduzidos apenas a uma, que frequentemente está aberta apenas algumas horas por semana(isto seria o equivalente a dizer que em todo o território português existiria apenas um local onde o aborto poderia ser efectuado. Aliás desde 1987 que nos Estados Unidos o número de clínicas com este fim não era tão baixo. A clara percepção de que o aborto não é uma solução está a levar a um aumento significativo dos defensores do ‘não’ do outro lado do atlântico e a um progressivo abandono deste verdadeiro crime.

O aborto não resolve nenhum drama social, sendo utópico pensar que se vai reduzir a pobreza recorrendo a um lei injusta e que despenalizando a mãe, penaliza à partida o filho com a mais grave das sentenças, a capital.

Quantos grandes magnatas começaram do nada, em famílias bem mais pobres e violentas do que muitas onde certamente, e graças a esta proposta que a esquerda pretende fazer aprovar, se vão realizar.

Porque não aplicar todo este empenho agora usado na defesa da morte, na defesa da natalidade, na concepção de políticas que apoiem de forma inequívoca a gravidez. Porque não imitar a Alemanha na atribuição de subsídios ao nascimento, aí sim, verdadeiros abonos que estimulam realmente um incremento na população(que chegam aos 25.000 euros por nascimento). Como podemos impedir a desertificação do interior, o envelhecimento da população até mesmo o colapso do sistema de segurança social se ao invés de defendermos a vida apoiamos a matança de bebés….

O drama social gerado pelo aborto é um facto, mas é também um facto que cada vez mais se torna difícil de compreender como pode alguém gerar um filho sem o querer. Muitos dos argumentos utilizados fariam toda a lógica caso este referendo tivesse sido realizado há 50 anos atrás, inclusive, muitos dos argumentos ‘técnicos’ e ‘científicos’ empregues pelos defensores do aborto.

Contudo este drama social que alguns alardeiam querer terminar, nunca terá fim, primeiro porque o aborto tem consequências psicológicas profundas para a mãe e aí, uma vez mais, o Estado estará a abdicar da sua função de protecção, preferindo escamotear problemas sociais e económicos que atingem uma larga percentagem da população do país através de uma lei que não passa, por assim dizer, de uma fuga para a frente, continuando por atacar as causas basilares da exclusão social e da pobreza em Portugal.

Socialmente reprovável, não terá o apoio de toda a população, não terá aliás, o apoio de uma parte significativa da população, preservando assim o carácter esquivo e ignóbil que este homicídio assistido pelo Estado inevitavelmente acarretaria. Em meios pequenos, onde os meios do Serviço Nacional de Saúde são limitados geograficamente, as futuras mães terão de recorrer a serviços onde inevitavelmente o seu anonimato não estará garantido pelas dimensões reduzidas das próprias localidades. Assim sendo irá certamente continuar o aborto clandestino por parte de todas aquelas que pretendem garantir o seu verdadeiro anonimato, tendo-o garantido apenas por meios escusos fora dos hospitais.

Este debate encontra-se ainda, e uma vez mais, a aprofundar a enorme clivagem que divide assustadoramente a sociedade portuguesa. Esta clivagem é visível não só em termos ideológico-partidários mas como em termos regionais. Em 1998 o país ficou dividido em dois, com o Norte a votar pelo Não e o Sul pelo sim, hoje o mesmo ameaça suceder, com o Norte, em peso a defender o Não de acordo com a sondagem Expresso/Rádio Renascença (55.5% - Não / 26.7% - Sim)(1). Deveria assim o Estado promover debates, antes de mais sobre um bem cuja defesa é a função primeira do Estado, ou seja a Vida, e segundo sobre algo que literalmente divide irresponsavelmente a Nação?





Resultados, por distrito, no referendo ao aborto de 1998.(2)



Os próprios custos projectados pelo Ministro da Saúde, de 10 milhões de euros por ano são incompreensíveis num país em que ainda se morre em listas de espera para cirurgias e em que cidadãos nacionais se vêm forçados a ir, até à Ucrânia, como foi agora noticiado, de forma a verem os seus problemas de saúde resolvidos com sucesso. Sobrecarregar o Serviço Nacional de Saúde a expensas dos impostos pagos por todos, defensores ou não do aborto, é no mínimo ofensivo a todos os que padecem de doenças que não desejaram e que não puderam evitar.

Por fim, como pode alguém argumentar que a vida em desenvolvimento não é já um ser humano? É talvez de todos, o mais inconsequente e infundado argumento do ‘sim’. É porventura um cidadão de 50 anos mais cidadão e portador de mais direitos que um outro com apenas 10? Não é um feto um estado de desenvolvimento, com algumas particularidades, mas ainda assim parte integrante de um ciclo de vida continuo?





É possível nesta imagem observar claramente um Ser Humano. É esta criança que a Lei em discussão se propõe a matar.(3)



Um feto com 10 semanas tem já há muito o sangue a correr, tem os dedos formados e até as unhas, movimenta-se no útero materno e, tem um coração que bate. Não é o coração, simbolicamente, o símbolo da nossa Humanidade, da nossa condição especial, acima dos demais seres? Como podemos querer matar um Ser Humano em que o coração já bate?

O argumento da viabilidade do feto como contraponto à humanidade existente no ser em desenvolvimento (que não passa aliás de uma das fases do crescimento se bem analisado), é para além de parcial na análise, perigoso já que um qualquer cidadão adulto que sofra um acidente que o deixe, a título de exemplo, imobilizado não é auto-suficiente ou viável de forma independente e no entanto não perde (ainda) qualquer direito nem vê a sua vida disposta por terceiros. Mesmo uma criança de um ou dois anos não é auto-suficiente e no entanto a sua vida é protegida.

Em termos legais em muitos países o homicida de uma mulher grávida incorre numa pena mais pesada, significando que o ser que a mulher carrega tem um valor, não é uma ‘coisa’ pertencente apenas à mãe e que dela é indissociável.

Na verdade se assim fosse, e se o feto fosse de facto uma parte do corpo da mãe, como muitos defensores do sim clamam, como se explica que mães portadoras de doenças infecto-contagiosas como HIV/SIDA possam dar à luz crianças saudáveis? Na verdade, existe uma barreira, a nível da placenta, que permite a separação do sangue da mãe do sangue do feto, evitando o contágio de muitas doenças e permitindo apenas a passagem de nutrientes e outras substâncias importantes. A unidade feto-placenta é responsável até pela produção e conversão de hormonas que permitem a manutenção da gravidez. Ou seja o próprio feto tem um papel na sua sobrevivência e desenvolvimento não sendo meramente um elemento ‘passivo’ no útero materno, uma ‘coisa humana’ como já foi dito na televisão pública num conhecido programa de debate.

A 11 de Fevereiro decide-se, já de si de forma incompreensível, o futuro de milhares de crianças, muitas das quais poderiam dar muito a este país. Este referendo e a lei que pretende passar (à segunda), compromete, à partida, sem respeito pelas potencialidades e o direito a desafiar as probabilidades, o futuro de muitas crianças, que sem se poderem defender ou arriscar viver, serão mortas por médicos que juraram defender a vida e nada fazer para apoiar aquelas que procuram abortar (A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. , parte do Juramento Hipocrático, realizado por todos os médicos).





Vasco Manuel Mantas

(Biólogo)



Notas:

1.Resultados da Sondagem Expresso/Rádio Renascença/SIC, publicada a 19 de Janeiro de 2007.
2. Dados da Comissão Nacional de Eleições.
3. Imagem retirada de If you are pregnant, publicado por Kansas Department of Health and Environment
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 11:09

Ora aí está, a Norte, maior adesão ao não. O Sul, como sempre em toda a sua História, um povo livre. O Norte e suas pequenas aldeias, completamente denominadas, não pensam, executam.
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vm



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:18

Bem o Sul... quanto a mim dificilmente poderá ser apelidado de uma terra de gente livre. O Alentejo por exemplo teve primeiro as suas gentes sob o controlo dos senhores do latifundio e depois do PCP. è uma região deprimida e atrasada. O Norte por outro lado é o motor económico do país, sempre foi uma terra de gente dura e aventureira mas respeitadora da tradição e conservadora nos costumes. Por alguma razão tivemos em 1919 a 'Monarquia do Norte'. Veja-se o Braga, o Porto e mesmo Aveiro, cidades tipicamente conservadoras e de uma religiosidade mais marcada e porém bem mais desenvolvidas que Évora, Beja ou até Faro....
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:18


"Chego lá e ponho um 'nê' no quadradinho"
Céu Neves
Rodrigo Cabrita (imagem)

"Chego lá e ponho um "nê" no quadradinho, não é um "ésse", é um "nê". Explica o senhor Felisberto no adro da pequena igreja de São Romeu, uma localidade do distrito de Bragança que fica a 16 quilómetros de Mirandela. "Pois, pois", respondem os outros. "Aqui, não deve ninguém votar no 'sim', aqui é toda a gente pela vida."

Não são muitos os que estão no adro da Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, a igreja matriz construída no século XII. Acabam de assistir à missa de domingo 34 pessoas, entre as quais dez homens e duas estudantes universitárias que ajudam à cerimónia. São praticamente todos os residentes locais, já que as casas habitadas são pouco mais de uma dúzia. No interior da igreja, em pedra, os homens não se misturam com as mulheres, eles ficam à esquerda e elas à direita.

E, se não há dúvidas quanto ao sentido de voto, menos certezas há sobre o local onde deverão votar e se o irão fazer. Gera-se uma pequena discussão entre os mais idosos, larga maioria dos presentes. "Ouvi dizer que tínhamos de ir a Mirandela, só se a câmara nos vier buscar." "É no Carriço? Mas isso ainda fica a dois quilómetros." "Vocês não sabiam onde era? Então até disse na rádio." "Eu deito no "não" mas não posso ir porque tenho um problema nas pernas." "Eu não sabia onde se votava, mas agora, sabendo, a que horas é vou votar?" "Vocês não sabem que o voto é sempre no mesmo sítio?"

Fátima Miranda, 40 anos, funcionária do Instituto Piaget, é uma das mais novas e mais defensoras do "não". "Só fica grávida quem quer, até há a pílula do dia seguinte", justifica, perante o olhar de aprovação das duas filhas que estudam no mesmo instituto, Inês (Fisioterapia), 19 anos, e Helena (Enfermagem), de 22.

Felisberto Augusto, 75 anos, cinco filhos e nove netos, acrescenta outro argumento: "Aqui é tudo PSD, é o partido do Cavaco e o Cavaco já disse que votava "não".(...)
in JN 06.02.07
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:26

Luís Villas-Boas abandona campanha pelo Não
O director do Refúgio Aboim Ascensão saiu do movimento Algarve pela Vida, contra a «radicalização» e a «partidarização» da campanha


A notícia foi avançada ao final da tarde de segunda-feira pelo jornal digital Barlavento Online. Villas-Boas, fundador e mandatário do movimento algarvio contra a despenalização do aborto, terá abandonado a campanha descontente com a «partidarização» e «radicalização» do discurso dos seus pares.

O director do Refúgio Aboim Ascensão não terá querido igualmente identificar a instituição de ajuda a crianças em risco, e as suas funcionárias, com uma das posição do referendo de 11 de Fevereiro.

Villas-Boas declarou ainda que não voltará a pronunciar-se sobre o tema do aborto, embora tenha falado da «urgência» em se encontrar um «consenso», independentemente do resultado da votação.

SOL, 06/02/2007
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:35

[quote="vm"]Bem o Sul... quanto a mim dificilmente poderá ser apelidado de uma terra de gente livre. O Alentejo por exemplo teve primeiro as suas gentes sob o controlo dos senhores do latifundio e depois do PCP. è uma região deprimida e atrasada. O Norte por outro lado é o motor económico do país, sempre foi uma terra de gente dura e aventureira mas respeitadora da tradição e conservadora nos costumes. Por alguma razão tivemos em 1919 a 'Monarquia do Norte'. Veja-se o Braga, o Porto e mesmo Aveiro, cidades tipicamente conservadoras e de uma religiosidade mais marcada e porém bem mais desenvolvidas que Évora, Beja ou até Faro....[/quot

Livre de mentalidade, caro Vm. gente que sempre lutou contra os latifundiários que soube dizer não que soube fazer greve, mesmo quando nada tinha para comer. Controlada pelo PCP???????????'' Essa, é nova para a História. Atrasados? Não, politicamente esquecidos. região deprimida? É a região mais parecida com a tropicalidade e a alegria. Gente fechada? Não. Muito inteligente que não dá conversa, sem saber de quem se trata. O Norte terra de gente dura? Não, de grandes diferenças sociais, atrasada séculos nos usos e costumes, onde o povo ainda se sente servo e nunca ergeu a cabeça nem lutou e enfrentou uma sociedade medieval. Tradicionalista? infelizmente. TÃO tradicionalista cuja mentalidade estagnou no tempo . religiosidade marcante? e isso é bom ou mau? Um pouco medieval, talvez.


Recomendo a leitura de Manuel da Fonseca, para quem queira conhecer a mentalidade e ahistória do povo alentejano. Melhor ainda, é a convivência na própria terra, ouvindo os anciãos, narrando a história do nosso alentejo, tão bem cantado pelo saudoso Zeca Afonso.


Um abraço


Última edição por em Ter 6 Fev - 12:50, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:48

ja agora desculpem la o que vou escrever mas tb se vai fazer um referendum sobre o homem não poder enfiar a foice em ceara alheia ou enfiar a foice antes de ter uma vida estavel de modo a providenciar um futuro ao futuro rebento, aplicando-se assim uma expécie de tampas no sexo masculino que so seram tiradas pela mulher após o casamento a a promeça do mesmo ou uma união de facto com mais de 2 anos.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 12:56

Vamos lá por partes que hoje estais tão filósofo e eu tão, terra a terra que tenho de te reler.
Ora vejamos
1-homem não poder enfiar a foice em ceara alheia. Infelizmente não vai haver, mas, Caro amigo. Você já viu algum tuga, não "enfiar a foice em seara alheia"? Lá se ia a tradição.
2- Pois, o resto tb não. Faz-se assim ou assado, ou como quiser, ou como der, ou como melhor se ajeitar.
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Longair



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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Ter 6 Fev - 13:06

pois
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MensagemAssunto: Re: Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?   Hoje à(s) 17:12

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Eutanásia/Aborto-Sim ou Não?
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