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 Entrevista de SAR Á Visão

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JTMB



Número de Mensagens : 111
Data de inscrição : 09/11/2006

MensagemAssunto: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 5:21

Com a devida vénia á Visão "on line" aqui fica esta excelente entrevista de SAR O Duque de Bragança


Um maço de cigarros Sampoerna, made in Indonésia, numa mesinha baixa, denuncia uma viagem recente a Timor. As cadeiras de estilo, os quadros que nos espreitam, antigos reis, o condestável Nun’Álvares, os pais e avoengos do dono deste solar sintrense, o jardim inglês, imponente mas um pouco lúgubre, lá fora... Estamos num livro de Os Cinco. E se o cão Tim aqui estivesse, não pararia de rosnar. Por baixo de um enorme óleo sisudo de D. Miguel I, duas bicicletas de criança e uma bola de futebol indicam que há vida para lá do silêncio deste «castelo» assombrado. Por aquela porta, poderá entrar, com efeito, uma assombração. E ei-la que entra mesmo. No seu bigode de D. Quixote, no seu fato príncipe de Gales tão fora de moda como o resto. D. Duarte, 61 anos, senta-se e sorri. Um belo sorriso. Por baixo daquelas melenas desgrenhadas, há uma pessoa ingénua, aqui, malandreca, ali, irónica, acolá, que se humaniza, se emociona, conversa, pensa e seduz. Surpresa: saímos muito mais monárquicos do que entrámos.

VISÃO: Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael. É este o nome que consta do seu BI?
D. DUARTE PIO: O facto de ter muitos nomes próprios, por tradição familiar, remete para santos que acreditamos que nos protegem. Miguel, Gabriel e Rafael são os nomes dos três arcanjos... Curiosa foi a situação do Afonso [filho primogénito, 10 anos]. Quando fui fazer o registo, disseram-me que tinha nomes a mais. Pedi que se pusesse Afonso de Santa-Maria, com hífen... Mas disseram-me que não, que ficava com nome de futebolista espanhol! Lá tive de escrever uma carta ao ministro da Administração Interna, para autorizar. No meu BI está apenas Duarte Pio de Bragança.

O seu padrinho foi o Papa Pio XII...
Pio XII era amigo do meu pai. Simultaneamente, foi meu padrinho e do príncipe Hans-Adam, do Liechtenstein. O baptizado foi na Suíça, com a presença do Núncio Apostólico, em representação do Papa.

Mas veio a conhecê-lo?
Conheci-o. Fui ao Vaticano, várias vezes, com a minha família. Era uma pessoa extraordinária, com uma personalidade fortíssima. Da primeira vez, fomos de comboio, desde a Suíça...

E a sua madrinha foi quem?
Foi a rainha D. Amélia. Pouco tempo antes, tinha havido a reconciliação entre o lado legitimista da família, que descendia do meu bisavô D. Miguel, e o lado da monarquia constitucional, do meu trisavô D. Pedro IV.

Falava-se, em sua casa, dessa desavença, que originou uma guerra civil em Portugal, no séc. XIX?
Falava-se. Era a razão pela qual estávamos no exílio. E só voltámos a Portugal em 1953.

E uma criança como D. Duarte percebia o que era o exílio?
Percebia que não podia voltar ao nosso país.

Mas Portugal era uma realidade distante, não era bem o seu país...
Mas só se falava português, em casa. Mesmo os meus amigos aprenderam a falar português. Recebíamos portugueses, líamos livros, e cheguei a vir, várias vezes, a Portugal sem os meus pais, com a minha tia Filipa, que vivia em Serpins. Tomava banho no rio Ceira, brincava com os filhos da moleira... Fiquei com um grande encanto pelas casas com iluminação a petróleo. Já na Força Aérea, reconheci o cheiro dos combustíveis...

E ainda voa?
Até há pouco tempo, com um comandante meu amigo, pilotei um helicóptero, no combate aos incêndios... Infelizmente, ele já faleceu e, desde então, não voei mais.

O seu pai, D. Duarte Nuno, anunciou o seu nascimento, em Maio de 1945, fazendo referência às «primeiras horas da paz». E saudou a vitória dos aliados...
Lembro-me das conversas sobre a Guerra, já passados anos. Quando Hitler anexou a Áustria, onde o meu pai tinha nascido e vivia, a família deslocou-se para a Suíça.

O seu pai nasceu sobre terra ida de Portugal. E o senhor no consulado português de Berna. Um pretendente ao trono tem de nascer em terra portuguesa?
Um monarca português tem de nascer em território nacional. A única excepção foi a de D. Maria II que tinha nascido no Brasil.

E como se educa um rei?
No sentido da responsabilidade. Temos de prestar um serviço ao País. O meu pai sacrificou-se muito mais do que eu. E não seguiu a carreira profissional que gostava de ter seguido. Era engenheiro agrónomo, mas gostaria de ter sido engenheiro de máquinas.

E por que não?
Porque, na nossa situação, temos de escolher profissões liberais, para não estar dependentes de superiores que mandem em nós.

Os seus filhos, também são educados assim? O Infante Afonso está a ser preparado para assumir o trono?
Tenho essa preocupação. Eles andam em colégios, aqui em Sintra. Mas acho que o importante é terem uma formação intelectual, moral e física sólidas, que lhes permita fazer as suas escolhas, no quadro de uma profissão em que possam também sustentar-se.

Nenhum dos seus filhos quer ser jogador de futebol, por exemplo?
Não, mas a Maria Francisca [9 anos] diz que quer ser toureira – é uma excelente cavaleira, aliás. Ou médica. E quando se zanga com os pais, diz que será médica legista...

E outras actividades próprias de um rei? Equitação, esgrima, polo...
Bem as actividades tradicionalmente praticadas pela aristocracia são hoje praticadas por qualquer pessoa que tenha algum poder económico... Já não é um exclusivo de uma classe... No meu caso são as actividades possíveis. A minha mãe fazia equitação, o meu pai não. Eu tive aulas de equitação, sobretudo no Colégio Militar..

Mas o senhor queria ser aviador.
Aos 16 anos, tirei o meu primeiro brevê, de planador, em Alverca. E havia um aluno, filho de um responsável dos planadores. Ficámos muito amigos, eu ia lá a casa e o pai, um dia, confiou-me um segredo, que eu não podia revelar a ninguém. Que pertencia ao PCP. Nos início dos anos 60, foi uma emoção muito grande para mim... Lá me explicou porquê, o que era aquilo...

Como eram as relações da sua família com Salazar?
O nosso regresso do exílio foi votado pela Assembleia Nacional. Na primeira votação, proposta pelos deputados monárquicos, o projecto chumbou: Salazar mandou votar contra. Mais tarde, foi aceite. Mas Salazar sempre se opôs à restauração da monarquia. Desconfiava das ideias demasiado liberais do meu pai. Aliás, o meu pai ainda esboçou um documento a pedir uma abertura política, mas teve de ceder a fortíssimas pressões de monárquicos conservadores e recuou. Salazar tinha simpatia pessoal pela minha tia Filipa, mas uma grande desconfiança em relação à outra tia, Maria Adelaide, que achava muito «esquerdista»...

Acha que o Estado Novo receava a Família Real?
Havia sobretudo uma grande preocupação de equilíbrio de forças entre maçonaria, republicanos, monárquicos... Salazar queria dividir para reinar. Mas dizia que a família real era uma reserva nacional.
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JTMB



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 5:22

Apesar disso, não seguiu o exemplo de Franco, que preparou o regresso da monarquia...
Não, ele sempre se opôs.

Quando começou a perceber quem era e o que representava?
Comecei a perceber melhor já em Portugal, na escola portuguesa. Nas festas de aniversário em gaia, em Cpoimbrões em Coimbra (São Marcos) chegavam a aparecer 20 mil pessoas nas festas do 1.º de Dezembro. Uma vez cumprimentei 12 mil pessoas! Utilizei uma máquina na outra mão, para as contar...

O regime impediu-o, durante algum tempo, de frequentar o Colégio Militar...
Foi o Presidente Craveiro Lopes que, tendo jurado fidelidade à República, não concebia a ideia de admitir o herdeiro real na instituição. Muita gente não percebe que a fidelidade à república é às leis vigentes. Que não são estáticas. As instituições republicanas não são incompatíveis com a existência de um rei. Várias nações europeias são repúblicas com rei. O Rei é o grande defensor das instituições, da unidade nacional, da soberania.

No Colégio Militar, participou num levantamento de rancho...
oi uma espécie de greve académica! Um professor tinha cometido uma grande injustiça com um aluno. Os graduados do 7.° ano fizeram levantamento de rancho e foram todos expulsos. O levantamento passou para o 6.° e foram também todos expulsos. Depois passou para o 5.°, que eu frequentava. Aí, a direcção do Colégio negociou e reintegrou toda a gente. E, olhe, ganhámos!

É adepto de algum clube?
Era do Benfica, porque era o clube que não tinha estrangeiros. Depois...

E os seus filhos?
Quando o Dinis [7 anos] foi baptizado, no Porto, o FC do Porto inscreveu-o como associado. E tornou-se um portista fanático. A Maria Francisca é do Sporting. O Afonso diz que não tem clube...

Não tem ou, como herdeiro da coroa, não está autorizado a revelá-lo?...
Não, diz que é da selecção. Fomos ver a equipa à Alemanha, no jogo do 3.º e 4.º lugares. Curiosamente, a responsável pelo protocolo era uma princesa prussiana...

E colocou alguma bandeira à janela?
Coloquei, mas foi a azul e branca, a da monarquia...

Convive mal, então, com a bandeira e com outros símbolos nacionais republicanos?
É a única bandeira republicana que manteve um escudo real. Não é mau. Mas não gosto das cores, não concordo com ela... Quando chegou a altura de jurar bandeira, na Força Aérea, o comandante disse-me: ‘Fique doente, em casa...’ E eu fiquei.

Fez o serviço militar em Angola...
No Norte de Angola. Não tínhamos helicópteros, mas pilotei um Dornier 27. Participei em missões de transporte e de reconhecimento. Até que o meu comandante recebeu instruções de Lisboa a proibir-me de voar. O comandante falou comigo e autorizou-me a percorrer o território, visitando chefes tribais, contactando as populações, etc.. Comprei uma moto e percorri as estradas do norte de Angola. Chegava a um quartel onde só era suposto chegar-se em coluna, e ali andava eu, entrava e saía, sempre com liberdade de movimentos...

E ainda tem hoje uma ligação a África.
Sobretudo a Angola e à Guiné-Bissau. Fiquei em casa de famílias guineenses e tive acolhimento caloroso. Muito caloroso. Tão caloroso, que a hospitalidade incluía a companhia de uma sobrinha do chefe da aldeia...

Conte lá isso, conte lá...
Bem, veja lá: eu ia visitar o comandante do quartel local e ele ficava muito admirado por eu não pernoitar... Expliquei-lhe que não podia recusar a hospitalidade daquelas pessoas... Seria uma falta de consideração...

E a companhia da tal sobrinha?
Foi uma companhia muito agradável. Sobretudo depois daquelas festas em que a cerveja de palmeira esbatia bastante as diferenças culturais...

Bem, não lhe pergunto mais nada, a VISÃO é uma revista de família...... [Risos] Voltou a Angola para tentar organizar uma lista de deputados angolanos às eleições de 1973. Porquê?
Estávamos a tentar organizar uma lista de candidatos para as eleições de 1973. Com candidatos angolanos, que concorreriam fora das listas da ANP. Tínhamos apoios fortes, de sectores da administração, e até de franjas ligadas aos movimentos de libertação. Não era uma lista para defender a independência, mas uma maior participação dos angolanos na administração pública, uma maior integração. Marcelo deu-me ordem de expulsão de Angola. O meu pai escreveu-lhe a protestar e ele chamou-me, para tomar um chá no Forte de São Julião da Barra, onde passava férias. Explicou-me que a minha retirada de Angola ficava a dever-se a questões de segurança. Agradeci, mas disse-lhe que o principal responsável da DGS (PIDE) em Angola não sabia nada disso, nem por que razão tinha de me vir embora. Se era só um equívoco, ia lá voltar. Ele irritou-se e disse que não admitia o meu projecto, e que a minha presença desagradava às forças vivas de Angola.

A seguir, Timor. A primeira visita dá-se pouco antes do 25 de Abril de 1974. Foi visitar o seu amigo Mário Carrascalão, com quem tinha estudado Agronomia, em Lisboa...
Corri todo o território, fiquei em casas de liurais, foi inesquecível. Estive lá um mês.

E no regresso, rebenta a revolução.
Estava em Saigão. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse-me que o Vietname não podia estabelecer relações diplomáticas com Portugal, por causa da política colonial portuguesa. Eu lá lhe expliquei que isso qualquer dia resolvia-se, havia o general Spínola, que estava a agitar as águas, etc. No dia seguinte, foi ele que me deu a notícia: «A sua revolução ganhou! O seu general lá assumiu o poder». Ficou convencido que eu estava por dentro do golpe...

E como reagiu ao 25 de Abril?
De Saigão, fui a Macau e enviei um telegrama a saudar o general Spínola, o MFA e a Junta de Salvação Nacional.
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JTMB



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 5:22

Os monárquicos andavam preocupados com a sua falta de interesse em casar. O que fez muito tarde, aos 50 anos...
Tive intenções de casar, em duas ou três ocasiões. A situação que levei mais longe foi um relacionamento com uma amiga meia russa, meia polaca. Visitei muito a Rússia, nessa altura, era o consulado do Gorbachev. Gostei muito da Rússia, dos russos e até aprendi a língua. Tenho lá amigos. Alguns estavam no KGB e hoje são monárquicos...

Vladimir Putine é uma espécie de Czar?
Acho que sim. Os russos gostam de lideranças fortes, que garantam segurança e estabilidade. Não gostam de um poder fraco. Associam-no a desgraças. Ele tem um estilo czarista.

No seu casamento, em 1995, que foi de Estado, fez questão de convidar o Presidente da República. Porquê?
Tenho grande consideração pelo dr. Mário Soares. Estiveram, também, o primeiro-ministro, Cavaco Silva, membros do Governo e cerca de 70 presidentes de Câmara, metade dos quais comunistas. Foi um casamento muito ecuménico...

Mário Soares, que escreveu um depoimento para a sua biografia, foi preterido por Manuel Alegre, para apresentar o livro, em Lisboa...
Dentro do PS e da intelectualidade da esquerda, em Portugal, é a pessoa mais ligada à tradição e à cultura histórica. E foi o homem que, como deputado, propôs que a República estabelecesse um lugar, no protocolo de Estado, para o representante da Casa Real, o que nunca foi feito. Nunca sabem onde hão-de sentar-me. Deve ser por isso que, agora, recorrem tanto às mesas redondas...

E votou nas presidenciais?
Não voto nas presidenciais. E, nestas eleições, não podia mesmo tomar partido: todos os candidatos eram excelentes. Na verdade, só voto nas autárquicas.

Então, não pode candidatar-se a Belém, apesar dos conselhos do falecido Ronald Reagan.
Com efeito, numa recepção na Casa Branca, ele tentou convencer-me a candidatar-me. Disse que Portugal era o mais seguro aliado dos EUA, com o Reino Unido, e que, pelo contrário, de Espanha nunca era de esperar nada de bom. Mais, não se importava de ver uma monarquia no nosso país. Não sendo possível, porque não candidatar-me, para o povo me ir conhecendo e para poder preparar esse caminho? «E se eu perco?», contrapus. «Não perde.» Bem, Claro que nenhum monárquico português concordou com a ideia...

Assim, nos tempos livres, dedica-se à agricultura...
Tenho a minha horta e cultivo os meus próprios legumes biológicos. E também racho a minha lenha. E tenho um excelente jardineiro, que trata muito bem das coisas.

Costuma viajar por todo o Mundo, representando o que diz ser a «marca Portugal». De onde vêm os fundos para essas viagens?
A Fundação D Manuel II suporta as viagans de carácter mais oficial. A Timor, Angola, no quadro de programas da fundação. Por exemplo, recentemente, na Guiné, estabelecemos um serviço de certificação de produtos de agricultura biológica. Agora, para ir a casamentos, já são despesas particulares. Mas enfim, viajamos em turística, ficamos em casa de amigos...

E de onde vêm os seus rendimentos?
Sobretudo de prédios arrendados, alguns com rendas muito antigas. No Chiado, em Lisboa, tenho uma inquilina com 110 anos, a D. Maria Luísa...

Ena! Do tempo da monarquia!
Exactamente. E, de vez em quando, lá vou tomar chá com ela. Fartamo-nos de conversar. E a D. Maria Luísa não se cansa de falar da rainha D. Amélia...
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 8:28

Caro JTMB

Agradecida, por nos ter brindado com esta excelente entrevista.

o meu Bem Haja
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Beladona

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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 11:27

Caro JTMB

Muito obrigada por nos ter feito a transcrição da enternecedora entrevista dada por D.Duarte à Visão.De facto,é uma entrevista que nos mostra a sua modéstia e dimensão humana.

Um bem haja

Beladona
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David Garcia

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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Qui 23 Nov - 11:31

Excelente entrevista de facto. Gostaria também de dizer que na Revista Sábado também há uma Entrevista muito interessante de Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte.

Na Revista Magazine Grande Informação deste mês também há uma Entrevista,mas de Dona Isabel de Bragança.

Por outro lado, no Fórum Monarquia-Portugal estão patentes as notícias referentes ao lançamento do livro "Dom Duarte e a Democracia" que decorreu ontém em Lisboa e hoje decorre no Porto.

http://monarquia-portugal.forumactif.com/viewtopic.forum?p=13151#13151

Saudações Reais,
David Garcia
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Valdez



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 1:11

Já estou a ler o livro " Duarte e a democracia" vou na pág 35. o Autor devia ser acusado de plágio pois até aqui é uma cópia mal disfarçada do livro "Salazar e a Rainha" depois existe uma sitação muito engraçada é que os autores que escrevem sobre Duarte Pio, fazem as coisas como uma ligeireza espantosa.

Chega-se ao ponto de insinuar que Duarte tem um curso superior só pelo facto de ter um certificado de um curso qualquer feito numa universidade em dois ou três fins de semana...

A ligeireza do autor é de tal ordem que fiquei surpreendido como é que ele tem o descaramento de transcrever na integra num livro um documento que devia ser secreto no MNE e que o deixa a ele e ao MNE em muito maus lencois pelas falsidades que contem.

Para primeiras inpressões estou contente por verificar que o livro não passa de um limão de casca grossa que por muito bem espremido que seja pouco sumo dá!
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JTMB



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 9:53

Caro Zé António

Deixo aqui sem qualquer espécie de comentário o que disse a imprensa sobre este acontecimento.




O SOL



Manuel Alegre e Dom Duarte juntos «sem complexos»

Por Pedro Guerreiro

«Valores nacionais comuns» levaram o ex-candidato à Presidência da República a apresentar a biografia política do pretendente ao trono de Portugal. Contra os «tabus em democracia», o republicano Alegre não é contrário a um referendo sobre a monarquia

Um republicano entre monárquicos. Manuel Alegre apresentou esta quarta-feira em Lisboa a obra Dom Duarte e a Democracia – uma Biografia Portuguesa, de Mendo Castro Henriques.

«Com gosto» e «sem complexos», o candidato às últimas presidenciais esteve no Chiado alegando «valores nacionais em comum» com Dom Duarte. Os valores, segundo Alegre, daqueles «que não precisam de sondagens para saber se querem continuar a ser portugueses».

Na cerimónia, onde estiveram presentes Dom Duarte e Isabel de Herédia, o socialista disse que se vive «um momento em que são precisos patriotas que saibam renovar e afirmar os valores permanentes de Portugal».

Em sintonia, Dom Duarte disse que «os valores patrióticos não são um monopólio da Monarquia ou da República, da Esquerda ou da Direita». O pretendente ao trono português declarou que se deve questionar «que futuro se quer para o país, se queremos ser uma região dentro de uma federação qualquer, ibérica ou europeia» e frisou o valor da independência nacional.

«Basta perguntar aos bascos e aos catalães se não querem ser independentes. Nós que temos a independência, temos o dever de defendê-la», declarou.

Ao apresentar a obra, Manuel Alegre declarou-se «surpreendido» por alguns aspectos da vida de Dom Duarte Pio, como o facto de o pretendente ao trono ter estado em Saigão nas vésperas do 25 de Abril, de onde enviou um documento em que manifestou o seu apoio ao Movimento das Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional.

Alegre mostrou-se de acordo com Dom Duarte e Mendo Castro Henriques ao partilhar as «inquietações» acerca do peso dos poderes económicos no processo da globalização que, segundo o socialista, geram um «grave risco de ruptura do contrato social».

Contudo, quanto a outra «inquietação» de Dom Duarte, a União Europeia, Manuel Alegre diz que Portugal «não tem outro caminho senão manter-se no centro das decisões».

O socialista aproveitou a ocasião para recuperar uma frase proferida durante o último congresso do seu partido. Alegre criticou novamente o Tratado de Maastricht, ao dizer que o documento «nos obriga, para reduzir o défice orçamental, a tomar medidas que não permitem resolver outro défice, o social».

Já o autor da biografia editada pela Bertrand, Castro Henriques, disse que os portugueses têm que estar «preparados para as surpresas da História».

«Os mesmos que nos vendiam o Fim da História impõem-nos agora o Choque de Civilizações», ironizou Castro Henriques.

No final da apresentação, Dom Duarte fugiu aos autógrafos e às dedicatórias, para celebrar em privado o 40º aniversário de Isabel de Herédia.

PORTUGAL DIÁRIO


O poeta e deputado socialista Manuel Alegre apresentou esta quarta-feira, «sem complexos», uma biografia de D. Duarte, pretendente ao trono, por haver valores que partilham e que «estão acima da monarquia ou da república», como patriotismo.

«Há ideias expressas por D.Duarte com as quais concordo. Portugal precisa de portugueses patriotas», afirmou Manuel Alegre, republicano, momentos antes de apresentar o livro «D. Duarte a Democracia - uma biografia portuguesa», no Cine-Teatro Gymnasio, no Chiado, em Lisboa.

Para Manuel Alegre, a defesa dos «valores da identidade portuguesa num mundo global», as «liberdades nacionais, a justiça social são preocupações que devem unir os portugueses, quer sejam monárquicos ou republicanos».

No livro, da autoria de Mendo Castro Henriques, professor da Universida de Católica, o autor revela que D.Duarte enviou uma mensagem de apoio ao Movimento das Forças Armadas e logo no dia 25 de Abril de 1974, dia em que foi derruba da a ditadura. A sessão de apresentação do livro terminou, numa sala cheia, com dois convidados a cantar fado.
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JTMB



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 9:57

Sublinho também estas palavras esclarecedoras ditas por o insuspeito Manuel Alegra na sua introdução:

Perguntaram um dia a D. Duarte se tinha sido educado para ser rei. Ele respondeu: “Fui educado para ser português.” Essa é uma das razões por que estou aqui hoje. Porque ser português é o sentido essencial da personalidade de D. Duarte e do nobre despojamento com que tem procurado cumprir o que entende ser a sua missão.
António Sérgio nunca deixou de criticar a mentalidade dogmática e aquilo a que chamava “o espírito de seita, de bairro e de capelinha.” Considerava o sectarismo uma doença nacional. Infelizmente são vícios que ainda permanecem. Por isso alguns terão ficado surpreendidos com o facto de um republicano e homem de esquerda como eu vir apresentar esta biografia de D. Duarte. Devo dizer que o faço com gosto. Em primeiro lugar pela consideração e respeito que me merece D. Duarte, não só como chefe da instituição real, mas, para utilizar uma feliz expressão de Mendo Castro Henriques, como “intérprete activo de Portugal.” E ainda porque se trata de uma boa ocasião para ultrapassar preconceitos e reflectir sobre alguns temas nacionais.
A Pátria está acima da República e da Monarquia. E este é um momento em que são precisos patriotas que saibam renovar e afirmar os valores permanentes de Portugal e dar ao conceito de Pátria um sentido de modernidade e de futuro. Ou como queria Fernando Pessoa, “cumprir Portugal”, sabendo que o que Portugal tem de mais moderno e permanente é ser “o futuro do passado”. É também uma hora em que é necessário alargar e reinventar o espaço da cidadania. A tecnocracia tem vindo a sobrepor-se à política, o pragmatismo e a lógica dos interesses ao civismo e às convicções. A nossa Constituição consagra, a par dos direitos políticos, os direitos sociais. Mas se estes ficam por cumprir aqueles outros perdem substância e sentido. Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais, culturais e ambientais.
A burocratização da democracia faz com que se responda uniformemente a problemas diferenciados. Mas não há soluções únicas para sistemas que têm uma grande diversidade de saberes e conhecimento. Daí a necessidade de, no quadro da democracia representativa, alargar o espaço da cidadania e da democracia participativa. Que tem isto a ver com este livro? Como adiante se verá, tem até bastante.
Permitam-me uma breve nota pessoal. Meu avô paterno, Mário Duarte, costumava caçar ou atirar aos pombos com o Rei D. Carlos, a quem, nem por ser monárquico, algumas vezes deixou de vencer, o que não era fácil; meu avô materno, Manuel Alegre, foi um dos chefes da Carbonária e um dos fundadores da República. Meu pai era monárquico, minha mãe republicana. Meu pai dizia-se monárquico sem rei e minha mãe republicana sem república. Um e outro transmitiram-me valores por que tenho pautado a minha vida. Talvez por ter nascido numa família assim, eu compreenda muito bem que nem sempre, como neste livro se afirma e como durante decénios aconteceu, se pode associar democracia com república nem monarquia com ditadura. Há repúblicas que não são democráticas – e tivemos um triste e sombrio exemplo com os 48 anos da ditadura do Estado Novo; e há monarquias que são democracias exemplares, como acontece com alguns dos mais avançados e civilizados países europeus.
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JTMB



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 10:01

Já agora Zé António chamo a tua atenção para que não deves estar a ler o mesmo livro que eu estou a ler.

Dizes que :

" Já estou a ler o livro " Duarte e a democracia" "

O meu livro tem como titulo "DOM Duarte e a Democracia" há aqui uma diferença nos titulos do livro


Um abc

Zé Tomaz
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Beladona

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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 10:36

Caro amigo JTMB

Falando da apresentação do livro "Dom Duarte e a Democracia" por Manuel Alegre,acho este acto (como já disse noutro forum) de uma grande dimensão política entre um monárquico e um republicano,onde transparece a liberdade e democracia deste acto e também a nível político o que nos poderá trazer de benefícios a nós monárquicos perante a nossa aceitação pelos republicanos,pois Manuel Alegre é alguém de grande força e respeitabilidade política e patriótica perante os seus pares e isso poderá até trazer-nos benefícios,quem sabe até ao ponto de ser revisto o artigo 288 alínea b) (não faz mal nenhum um pouco de esperança).

Um abraço da Beladona
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 11:42

Caro JTMB, por acaso já havia publicado, esses artigos, noutro tópico, mas, não tem qualquer problema a sua duplicação.
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RosaLati
Convidado



MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 11:50

[quote="Valdez"]Já estou a ler o livro " Dom Duarte e a democracia" vou na pág 35. o Autor devia ser acusado de plágio pois até aqui é uma cópia mal disfarçada do livro "Salazar e a Rainha" depois existe uma sitação muito engraçada é que os autores que escrevem sobre Duarte Pio, fazem as coisas como uma ligeireza espantosa.

A ligeireza do autor é de tal ordem que fiquei surpreendido como é que ele tem o descaramento de transcrever na integra num livro um documento que devia ser secreto no MNE e que o deixa a ele e ao MNE em muito maus lencois pelas falsidades que contem.

quote]
Caro, Sr.Valdez

- A acusação de plágio, é grave, o Sr. Valdez, como tal, agradeço que apresente a queixa, à Sociedade Portuguesa de Autores.

- Se, o MNE se sentisse lesado, não o havia permitido. Mas, o MNE, agradece na mesma a sua simpática preocupação,
Bem Haja
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Valdez



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 12:29

Cara Rosalatina,

O autor do livro Salazar e a Rainha é que se deve dar a esse trabalho, uma vez que o novo livro tem partes que são quase identicas e o interesse é dele.

Quanto ao MNE o que é muito estranho e revelador de uma premiscuidade é como é que um documento que é interno ao próprio ministério vem parar num livro? Porque o que foi publicado no Correio da Manhã não tinha os detalhes com que o livro agora nos brinda e ainda bem.

Aliás quero ver como é que o Ministério e o autor vão provar as cretinas patacoadas escritas no tal parecer...pago para ver!

Já passei da página 130, e umas páginas antes, vi um elogio a um tal David Mendes, será o nosso amigo? Após tantos sacrificios terá finalmente o nosso amigo conseguido a imortalidade através da insignificante mas presente referencia em tão ilustre obra.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 12:38

Sr, Valdez
Serão assuntos do Ministério e do autor. Se houvesse alguma ilegalidade o livro não estaria nas livrarias. Se dizem "patacoadas", é da responsabilidade deles e por eles assumidas. Bom, com essa publicidade toda, vou mas é também comprar o livro.
Bem Haja
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Valdez



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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Sab 25 Nov - 14:50

Mas acho que deve comprar, estou 200% de acordo pois só lendo é que se entende a " profundidade " da prosa....eu comprei por acaso 3, 1 para eu ler e mais 2 para que enviei ao visado de algumas mentiras que lá veem escritas.
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RosaLati
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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   Dom 26 Nov - 7:04

Pois muito bem, mas o tópico é "Entrevista de SAR Á Visão". Sem querer já nos desviamos do tema.

Bem Haja
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MensagemAssunto: Re: Entrevista de SAR Á Visão   

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Entrevista de SAR Á Visão
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